O ex-governador da Paraíba e candidato ao Senado, João Azevêdo (PSB), foi o primeiro entrevistado na série ClickPB Eleições 2026, realizada pelo portal ClickPB em parceria com a TV Diário do Sertão. Na sabatina transmitida nesta segunda-feira (17), ele respondeu perguntas da redação e do público, em tempo cronometrado.

Durante o bloco sobre segurança pública, Azevêdo foi questionado a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2023, de autoria do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que prevê criminalizar a posse e o porte de qualquer quantidade de drogas. A iniciativa foi apresentada como contraponto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu tratamento como usuário — e não traficante — para quem for flagrado com até 40 gramas de maconha ou com até seis plantas fêmeas de cannabis. A PEC ainda precisa passar por comissão especial e pelo plenário da Câmara para vigorar, etapa que não avançou; assim, por enquanto, permanece em vigor a orientação do STF.

Azevêdo defendeu diferenciação no tratamento entre traficantes e usuários: o combate ao crime organizado ficaria a cargo das forças de segurança, enquanto os usuários deveriam ser alcançados por políticas públicas de saúde e prevenção. O candidato citou dados de apreensões para sustentar a argumentação: segundo ele, a Paraíba não é produtora de drogas, mas registrou cerca de 20 toneladas de entorpecentes apreendidas nos últimos anos; da mesma forma, afirmou que mais de 23 mil armas foram recolhidas pelo sistema de segurança estadual.

O candidato também afirmou que a população precisa participar do debate sobre a legalização da maconha. Para Azevêdo, a definição de políticas públicas deve incluir a opinião popular, já que os parlamentares representam a sociedade que os elege.

Como proposta para a área de segurança, João Azevêdo propõe a criação de um Sistema Único de Segurança Pública que promova divisão mais equilibrada dos recursos entre União e Estados. Segundo ele, o Brasil aplica cerca de R$ 160 bilhões por ano em segurança pública, dos quais aproximadamente R$ 140 bilhões saem dos cofres estaduais. Azevêdo defende que a União assuma parcela maior do financiamento, especialmente porque a fiscalização de fronteiras é responsabilidade federal e é por essas rotas que, segundo o candidato, chegam drogas e armas à Paraíba.

O candidato afirmou que o sistema único reforçaria operações para desarticular financeiramente facções criminosas, atuando desde grandes centros financeiros até municípios menores, e incluiria investimento em novas tecnologias. Ele declarou que a pauta de segurança será prioritária caso chegue ao Senado.

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Com informações de Diariodosertao