O governo brasileiro avançou na diversificação de parceiros comerciais ao firmar, nesta quinta-feira (27), um memorando de entendimento com a Índia. O documento foi assinado na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília, com a Confederação das Indústrias Indianas (CII), e busca estimular aproximação entre empresas, ampliar fluxos de investimento e impulsionar oportunidades de negócio bilaterais.

O acordo, de caráter não vinculante, prevê troca de informações sobre os respectivos mercados, divulgação de boas práticas, promoção de feiras e ações de internacionalização para micro, pequenas e médias empresas. A iniciativa ocorre no contexto de esforços do governo federal para mitigar os efeitos das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes comerciais.

Agenda imediata e negociação com os EUA

Na próxima segunda-feira (31), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, participará de uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR); o chanceler Mauro Vieira acompanhará o encontro. O governo brasileiro retoma o diálogo com Washington após a imposição das novas tarifas e sinaliza discutir, entre outros pontos, listas de exceções e a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade.

Segundo o ministro, a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana anterior, contribuiu para reabrir as negociações sem a exigência de concessões antecipadas por parte do Brasil. O governo também informou que manterá medidas de apoio a setores afetados pelas sobretaxas, a exemplo do programa Brasil Soberano.

Metas e números do comércio com a Índia

Ameta estabelecida pelas partes é elevar o comércio bilateral para US$ 20 bilhões até 2030. Em 2025, o intercâmbio entre Brasil e Índia atingiu US$ 15,2 bilhões, com exportações brasileiras para a Índia de US$ 6,9 bilhões e importações de produtos indianos totalizando US$ 8,4 bilhões. No ano anterior, as exportações do Brasil ao país asiático atingiram quase US$ 7 bilhões, o maior montante em duas décadas.

Atualmente, a Índia figura como o décimo destino das exportações brasileiras, enquanto o Brasil é o 26º fornecedor para o mercado indiano. A relação comercial entre os dois países cresceu 82% nos últimos anos. A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros naquele mercado e apoia cerca de dez projetos estratégicos voltados à Índia. O acordo de preferências entre Mercosul e Índia inclui 450 linhas de produtos, por tipos e subtipos.

Setores e prioridades

Os setores apontados como estratégicos na aproximação bilateral incluem a indústria farmacêutica, bioenergia e biocombustíveis, fertilizantes, dispositivos médicos e a exploração de minerais críticos. O governo destacou que pretende ampliar parcerias na área de minerais críticos, condicionando projetos ao desenvolvimento de tecnologia nacional.

A estratégia oficial combina a abertura de novas rotas comerciais e a manutenção de uma postura de defesa dos interesses econômicos do país diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Com informações de Agência Brasil