Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a necessidade de um novo mandato para implementar investimentos em tecnologia e setores estratégicos e afirmou que o governo entregará superávit, sem detalhar cortes em despesas obrigatórias.
Durante a conversa com os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Lula afirmou que pretende promover uma “revolução tecnológica” para aproximar o Brasil dos países desenvolvidos, com foco em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa. O presidente afirmou que esses setores estarão no centro de sua proposta caso busque um quarto mandato.
Ao comentar a situação fiscal, Lula afirmou ter retirado o país do mapa da fome em duas ocasiões e criticou o quadro herdado do governo anterior. Segundo ele, o déficit foi de 2,8% ao retornar ao cargo e chegou a 0,8%, e agora o resultado será positivo, garantindo superávit.
Caso Lulinha
Sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o presidente disse que não pretende interferir nas apurações. Lula declarou que não é membro do Ministério Público, nem delegado ou juiz, e que, se houver crime, o filho deverá responder como qualquer cidadão.
O chefe do Executivo negou que vá afastar delegados ou adotar medidas para proteger Lulinha e afirmou acreditar na inocência do filho, classificando parte das suspeitas como “ilações”.
Relação com lobista
Sobre mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, Lula afirmou que conversas isoladas não comprovam crime e disse que, até o momento, não há prova de uso de recurso público ou de diálogo do filho com ministros. O presidente considerou inadequada a relação entre a lobista e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro (Marcola) e defendeu investigação para esclarecer se recursos públicos foram liberados indevidamente.
Ao ser questionado sobre mensagem em que Roberta teria dito que Lula ofereceu um cargo, o presidente negou conhecê-la e descartou proximidade com a lobista.
Correios e privatização
Lula abordou a situação dos Correios, que acumulam quatro anos de prejuízo e um rombo estimado em R$ 15 bilhões, e descartou a venda da estatal. Ele afirmou pretender recuperar a empresa para que preste serviços de qualidade, admitindo, porém, que será necessário promover “enxugamento” e estudar parcerias com empresas nacionais ou estrangeiras.
Escândalo do INSS e fila de benefícios
Sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, o presidente informou que R$ 3 bilhões já foram restituídos e que as investigações foram conduzidas pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal. Lula disse que quem estiver envolvido deverá responder na Justiça e destacou que o ex-ministro Carlos Lupi não foi condenado.
Quanto à promessa de zerar a fila do INSS, o presidente afirmou que anunciará na próxima semana a redução da espera ao patamar normal, estimando que 251 mil pessoas ficarão na fila, contra cerca de 3 milhões verificados durante o governo anterior.
Caso Banco Master e dívida pública
Na questão das investigações ligadas ao Banco Master e à relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com Augusto Ferreira Lima, Lula defendeu a presunção de inocência e manteve o apoio à candidatura de Wagner ao Senado, afirmando que suspeitas isoladas não bastam para pôr em dúvida a conduta do senador.
Sobre a dívida pública, que ultrapassou 80% do PIB, o presidente afirmou não enxergar motivo para grande preocupação, atribuindo parte do aumento à taxa básica de juros em 14% ao ano e ao déficit fiscal herdado. Lula disse que o crescimento econômico reduzirá a relação dívida/PIB e reiterou a prioridade em investir em tecnologia e setores estratégicos em vez de detalhar cortes em gastos obrigatórios.
Com informações de Polemicaparaiba




