O início da campanha presidencial de 2026 indica uma mudança no eixo do debate político no Brasil, com maior destaque para propostas econômicas de viés liberal e de centro-direita. As sabatinas realizadas no Jornal Nacional nesta semana evidenciam essa tendência: exceto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca o quarto mandato, os demais candidatos convidados pela Globo têm defendido, em graus variados, agendas voltadas à responsabilidade fiscal e à redução do tamanho do Estado.

Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) apresentaram medidas que incluem corte de impostos, enxugamento da máquina pública e estímulos ao empreendedorismo. Esse posicionamento contrasta com momentos anteriores em que a maioria dos postulantes às eleições defendia ampliação de gastos públicos e maior intervenção estatal; um exemplo citado é a declaração de 2009 do então presidente Lula sobre a ausência de representantes da direita no debate sucessório.

Menos Estado, mais cidadão

Não se trata apenas de percepção da campanha: pesquisas apontam alteração na visão da sociedade. Uma sondagem recente do Datafolha mostrou que 65% dos entrevistados concordam com a frase “quanto menos eu depender do governo, melhor estará minha vida”, enquanto 31% escolheram a alternativa “quanto mais benefícios do governo eu tiver, melhor estará minha vida” e 4% não souberam responder. Em 2013 essas posições estavam empatadas em 47% cada, conforme levantamento da Folha que acompanhou as edições de 2013, 2014, 2017 e 2022.

Entre beneficiários de programas sociais, a pesquisa e observações de campo indicam que muitos deixam de se sentir obrigados a votar no governante em exercício. Reivindicações recorrentes de eleitores incluem reclamações sobre carga tributária elevada, entrega insuficiente de serviços públicos e promessas não cumpridas. Problemas concretos citados em conversas em transporte por aplicativo, padarias e comunidades incluem endividamento, domínio territorial de facções criminosas e frustração com políticas públicas.

No campo da segurança pública o debate também mudou: embora permaneça a compreensão de que políticas sociais ajudam a prevenir o crime, propostas como redução da maioridade penal, endurecimento de penas e postura mais combativa contra criminosos passaram a ocupar espaço nas falas dos candidatos, acompanhando preocupações apontadas por pesquisas como a Quaest, que identifica segurança entre as principais inquietações do eleitorado.

Cenário da Paraíba

Na Paraíba, onde o lulismo ainda é força política predominante, o deslocamento do debate também é perceptível. Candidatos ao governo estadual como Cícero Lucena, Efraim Filho e Lucas Ribeiro têm incorporado, em maior ou menor grau, propostas com viés liberal na administração pública. Pesquisa Quaest recente indica que, na percepção dos paraibanos, os principais problemas do estado são saúde e segurança pública, áreas em que a expectativa é de atuação mais rápida por parte do Estado, incluindo, segundo o debate em curso, medidas como redução de impostos, combate mais incisivo ao crime e parcerias com o setor privado.

Independentemente do resultado das próximas eleições, os postulantes a cargos executivos terão de governar diante dessa mudança de prioridades na sociedade e responder às demandas apontadas pelo eleitor comum.

Com informações de Jornaldaparaiba