Chapas e suplências
A escolha de suplentes faz parte da estratégia das chapas eleitorais e pode definir sucessões no Senado. Na Paraíba, vários suplentes chegaram ao cargo de senador em caráter definitivo em razão de renúncias, licenças ou falecimentos dos titulares, mudando o panorama político estadual.
Ney Suassuna e Antônio Mariz
Antônio Mariz, com trajetória como deputado federal e candidato a governador em 1982, disputou o Senado em 1990 e venceu Marcondes Gadelha com pouco mais de 54% dos votos contra 33,16% de Gadelha. Em sua chapa, figuravam como suplentes Péricles Vilhena e Ney Suassuna. Em 1994 Mariz concorreu ao governo e foi eleito no segundo turno, abrindo a vaga no Senado para Suassuna, que permaneceu no cargo pelos três anos seguintes.
Ney Suassuna disputou a reeleição em 1998 e obteve 41,64% dos votos, contra 36,05% de Tarcísio Burity e 19,75% de Cozete Barbosa. Suassuna exerceu o mandato até 2006, quando foi derrotado por Cícero Lucena em sua última disputa como cabeça de chapa.
Wellington Roberto e Humberto Lucena
Humberto Lucena, eleito pela primeira vez em 1978 e reeleito em 1986, foi presidente do Senado entre março de 1987 e março de 1989, período da elaboração da Constituição de 1988. Reeleito em 1994 na chapa do MDB ao lado de Ronaldo Cunha Lima, Lucena tinha como suplentes Renato Cunha Lima e Wellington Roberto.
Lucena faleceu em 13 de abril de 1998, aos 69 anos, após quase dois meses internado por problemas cardíacos. Com a vacância, Wellington Roberto assumiu a cadeira até o término do mandato em 2002. Em seguida, Roberto concorreu à Câmara dos Deputados, sendo eleito com pouco mais de 76 mil votos e reeleito para outros cinco mandatos.
Roberto Cavalcanti e José Maranhão
José Maranhão foi eleito senador em 2002 com pouco mais de 830 mil votos, enquanto Efraim Morais obteve 594.191 votos. Seus suplentes eram Antônio Sobrinho e Roberto Cavalcanti, proprietário do Sistema Correio e já segundo suplente em outra chapa em 1994. Cavalcanti assumiu temporariamente em 2006 por licença de Maranhão e tornou-se titular após a renúncia de Maranhão, que deixou o Senado para assumir o governo do estado em fevereiro de 2009 após a cassação de Cássio Cunha Lima.
Roberto Cavalcanti ocupou a vaga até 1º de janeiro de 2011, data que marcou o término de sua atuação no cargo.
Raimundo Lira e Vital do Rêgo Filho
Vital do Rêgo Filho, conhecido como Vitalzinho, construiu carreira como vereador de Campina Grande, deputado estadual e federal, sendo o mais votado da Paraíba em 2006. Em 2010 concorreu ao Senado e foi o segundo mais votado, com pouco mais de 869 mil votos, eleito ao lado de Cássio Cunha Lima. Em dezembro de 2014, com apoio do MDB, Vital renunciou ao mandato após ser indicado para o Tribunal de Contas da União, ocupando a vaga do ministro José Jorge.
Com a renúncia, o primeiro suplente, o ex-senador Raimundo Lira, assumiu a cadeira em 22 de dezembro de 2014 e permaneceu até o fim do mandato, não disputando a reeleição em 2018.
Nilda Gondim e José Maranhão
José Maranhão voltou ao Senado em 2014, sendo eleito com 647.271 votos (37,12%). Após disputar o governo em 2018 e ficar em terceiro lugar, Maranhão foi infectado pela Covid-19 e faleceu em 8 de fevereiro de 2021, aos 87 anos. A primeira suplente da chapa, Nilda Gondim, filha do ex-governador Pedro Gondim e mãe de Vitalzinho e Veneziano, assumiu a vaga na sequência. Nilda, eleita deputada federal em 2010, permaneceu no Senado até 1º de fevereiro de 2023 e não disputou a reeleição em 2022.
Esses episódios mostram como a escolha de suplentes pode alterar a composição do Senado da Paraíba ao longo dos mandatos, com suplentes assumindo cadeiras de forma definitiva diante de diferentes circunstâncias dos titulares.
Com informações de Polemicaparaiba




