A produção industrial do Brasil recuou 0,6% em agosto na comparação com julho, de acordo com os números da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (2). Em julho, a indústria havia registrado alta de 0,1%, após quedas de 1% em maio e de 1,6% em junho.

Segundo o pesquisador do IBGE André Macedo, o setor acumula perda de 3,1% nos últimos quatro meses, valor que reduz os ganhos de 4,3% observados no primeiro quadrimestre do ano. Para ele, a desaceleração no segundo quadrimestre está associada, entre outros fatores, a uma política monetária mais restritiva, com taxas de juros em patamares elevados que impactam a inadimplência, o endividamento e a renda disponível das famílias, além de levar empresas a adiar investimentos.

Macedo ressalta que, apesar de um mercado de trabalho relativamente resiliente — com número recorde de pessoas ocupadas e crescimento na massa de rendimentos —, a combinação de comprometimento da renda das famílias e o adiamento de investimentos contribui para a perda de dinamismo do setor industrial.

Em relação ao nível de atividade, a indústria está 1,3% acima do patamar de fevereiro de 2020, anterior à pandemia, mas permanece 15,6% abaixo do ponto mais alto da série histórica da Pesquisa Industrial Mensal, registrado em maio de 2011.

Na comparação anual, a produção caiu 1,2% em relação a agosto do ano passado. A média móvel trimestral mostra recuo de 0,7%, enquanto os acumulados no ano e em 12 meses registram alta de 0,8% e 0,6%, respectivamente. A matéria foi atualizada às 10h32min para acrescentar informações.

Desempenho por ramo e categoria

Dos 25 ramos pesquisados, 16 registraram queda de julho para agosto. As maiores retrações foram em produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%).

Entre as nove atividades que avançaram, destacaram-se produtos diversos (8,4%), produtos alimentícios (1%), produtos químicos (0,9%) e metalurgia (0,8%).

As quatro grandes categorias econômicas da indústria também recuaram no período. Os bens de consumo semi e não duráveis caíram 1,7% e os bens de consumo duráveis recuaram 1%. Bens de capital registraram queda de 0,6% e bens intermediários recuaram 0,2%.

Esses números apontam para um quadro de perda de ritmo na indústria, com diferenças marcantes entre setores que avançaram e outros que registraram quedas significativas.

Com informações de Agência Brasil