Integrantes do movimento “Cajazeiras Não Anda a Pé” se mobilizam para cobrar a implantação de transporte público coletivo com gratuidade em Cajazeiras, no sertão da Paraíba. A iniciativa, que reúne professores, estudantes e profissionais liberais, tem buscado sensibilizar a gestão municipal e candidatos nas eleições para que incluam a pauta de mobilidade urbana em seus compromissos.
Atualmente, o deslocamento na cidade é realizado majoritariamente por veículos particulares e serviços de transporte individual por aplicativo, além de táxis e mototáxis, segundo membros do grupo ouvidos pela reportagem da TV Diário do Sertão.
Os organizadores defendem que a gratuidade do transporte reduziria os custos para famílias de baixa renda e poderia impulsionar o comércio local. Alfredo Leite destacou o impacto do gasto com transporte no orçamento dos trabalhadores, citando estudos do Governo Federal que apontariam que cerca de 20% da renda do trabalhador chega a ser comprometida com deslocamento.
Para pressionar por avanços, o movimento tem coletado assinaturas em um abaixo-assinado que já registra quase 2.000 apoios, além de apresentar uma carta-compromisso a candidatos a deputado estadual, deputado federal e governador durante o período eleitoral, com a proposta da tarifa zero em Cajazeiras, informou Alfredo.
A viabilidade financeira do projeto também é tema central. O professor José Maria afirmou que o município teria margem orçamentária para custear a gratuidade, comparando os custos do programa com despesas já previstas pela prefeitura, como verba destinada ao Carnaval.
“A prefeitura gasta 10 milhões de reais só no período de Carnaval. O ‘Cajazeiras Não Anda a Pé’ não vai gastar na faixa de 1 milhão, 2 milhões. E é ano todo, sábado e domingo”, disse José Maria, ao defender que o programa poderia melhorar a renda das famílias ao reduzir gastos com transporte.
Na proposta de organização do sistema, os integrantes sugerem a criação de dois pontos de integração no centro urbano: um na antiga rodoviária e outro na área da antiga Feira da Fruta. A professora Neidinha Alves ressaltou que a principal barreira é a vontade política e apontou que a medida beneficiaria especialmente pessoas em situação de vulnerabilidade e mulheres, ampliando acesso a serviços de saúde, educação e mercados.
O professor Fernando Coutinho, do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), enfatizou a repercussão da falta de transporte na rotina acadêmica e no dia a dia dos moradores, afirmando que o projeto tem adesão popular e não se trata de ação política partidária, mas de reivindicação de quem é afetado pela ausência do serviço.
O movimento segue recolhendo apoios e buscando agendas formais com gestores públicos para apresentar a proposta e solicitar estudos técnicos e orçamentários sobre a viabilidade da tarifa zero em Cajazeiras. Acompanhe as ações do grupo pelo perfil @transportepublicojacz.
Com informações de Diariodosertao




