O imóvel que abrigou a Telpa — depois Telemar e atualmente vinculado à Oi —, localizado próximo à Praça Coronel Emídio Cartaxo, no centro comercial de Cajazeiras, tem sido alvo de preocupação entre moradores e comerciantes por conta do abandono e da degradação avançada da estrutura.

Equipe do programa Olho Vivo, da TV Diário do Sertão, fez vistoria no local e constatou que o edifício desocupado vem sendo utilizado como abrigo temporário por pessoas em situação de rua, com acúmulo de pertences e roupas no interior. Vizinhos relatam receio, especialmente durante a noite, devido a arrombamentos, furtos qualificados e invasões recorrentes nas imediações.

Ações administrativas

A Prefeitura de Cajazeiras decretou a requisição administrativa temporária do prédio e formalizou pedido junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para obter a cessão definitiva do imóvel ao município. A Secretaria de Obras não respondeu ao contato da reportagem até o fechamento da matéria.

Incêndios e riscos à saúde

Em novembro de 2025 o Corpo de Bombeiros atendeu a dois incêndios no local em um intervalo de uma semana. Na segunda ocorrência a perícia indicou que restos de mobília, madeira e metais foram reunidos e incendiados deliberadamente. O fogo teve início no primeiro andar, obrigando os bombeiros a utilizar escada para acessar a área afetada.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros, Capitão Teodózio, informou que a Prefeitura está reunindo documentos, como relatórios técnicos e boletins de ocorrências dos Bombeiros e da Polícia Militar, para solicitar a posse provisória do imóvel. A intenção é possibilitar reforma e destinar o prédio a algum órgão público municipal.

Além do risco estrutural, o Capitão Teodózio confirmou a existência de baterias estacionárias de chumbo-ácido no interior do edifício, com presença de materiais tóxicos. O armazenamento inadequado desses componentes oferece risco à saúde pública, sobretudo se o prédio for ocupado sem prévia descontaminação, pois as baterias podem conter chumbo, ácido sulfúrico e gases residuais.

Reclamações e propostas da comunidade

Pessoas que circulam pelo centro de Cajazeiras manifestaram indignação e sugeriram alternativas para o uso do espaço. O comerciante Luís Ferreira alertou para o perigo representado pelo prédio aberto e defendeu medidas que impeçam a aglomeração de indivíduos em situação irregular no local. A comerciante Rosângela Pinheiro pediu intervenção do Executivo para recuperar a estética da praça e propôs a realização de projetos sociais voltados para prédios vazios.





O morador José Lucena defendeu que o imóvel seja aproveitado em benefício da população. Luzimar Silva ressaltou que, por se tratar de patrimônio, o prédio deve ser restaurado e não demolido. O casal Francisco Lourenço e Susana sugeriu destinar o espaço para moradia ou atividades comerciais. Já o comerciante Fábio Soares apontou a possibilidade de repassar o imóvel a comerciantes do centro, argumentando que isso evitaria o uso do prédio para consumo de drogas.

As autoridades municipais seguem reunindo documentação para tentar a posse provisória e viabilizar intervenções, enquanto a população aguarda providências para reduzir os riscos à segurança, saúde pública e a recuperação do espaço urbano.

Com informações de Diariodosertao