Quem e o que: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), tenta levar ao Plenário ainda em 2026 um projeto que institui o voto distrital misto para eleições legislativas.

Quando e onde: A iniciativa foi discutida no final da semana passada em encontro de Motta com representantes de diversos partidos no Congresso Nacional.

Como funcionaria o sistema

No modelo distrital misto, o eleitor vota em dois formatos: parte das cadeiras é ocupada por candidatos eleitos diretamente em distritos pelo sistema majoritário, e a outra parte é preenchida com base na votação geral das listas partidárias.

Como exemplo prático, na Paraíba — que elege 12 deputados federais — seis vagas seriam preenchidas pelos vencedores em cada distrito, enquanto as seis remanescentes seriam distribuídas conforme a votação total obtida pelos partidos.

Comparação com o sistema atual: Hoje, o método proporcional define o número de cadeiras de cada legenda a partir do quociente eleitoral, e as vagas são ocupadas pelos candidatos mais votados dentro das siglas.

Reações e obstáculos

Partidos do centrão, incluindo o PSD, recebem bem a proposta. Em contrapartida, PT e PL têm mostrado resistência. Essas legendas, que são polos da polarização política, beneficiam-se do sistema proporcional por meio de lideranças com grande votação que conseguem arrastar companheiros de partido para o Congresso.

O texto cita como exemplos as eleições deste ano, nas quais os deputados Nikolas Ferreira (Minas Gerais) e Lucas Pavanato (São Paulo), ambos do PL, obtiveram juntos mais de 6,1 milhões de votos — desempenho que foi determinante para garantir 17 das 40 cadeiras conquistadas pelo PL nesses dois estados.

Além da resistência eleitoral do PT e do PL, o fato de o PT integrar uma federação partidária também complica a tramitação e a aceitação da mudança.

Calendário proposto

O projeto em debate prevê a entrada em vigor do modelo distrital misto em 2034. Entre 2030 e 2034, as eleições passariam por um período de transição que alternaria elementos do sistema proporcional atual e do voto distrital misto.

O texto começou a ser tratado em articulações internas na Câmara e deve seguir para debate no Plenário caso haja acordo suficiente entre as bancadas.

Com informações de Jornaldaparaiba