O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) participou, na tarde deste domingo, 23 de novembro de 2025, de audiência de custódia realizada por videoconferência no âmbito da Petição 14.129/DF. A sessão foi conduzida pela juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, vinculada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Também acompanharam a audiência os advogados de defesa, Daniel Bettamio Tesser e Paulo Henrique Aranda Fuller, além do procurador Joaquim Cabral da Costa Neto, representante da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Relato do ex-presidente
No depoimento, Bolsonaro afirmou ter sofrido um “surto” na madrugada anterior à sua prisão, motivado, segundo ele, pela interação dos medicamentos Pregabalina e Sertralina, prescritos por médicos diferentes. O ex-presidente contou que, entre sexta-feira e sábado, passou a desconfiar de que seu equipamento de monitoramento eletrônico estaria “escutando” suas conversas e, por volta da meia-noite, utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira.
Ele declarou que possui curso de operação do tipo de ferramenta utilizada e que cessou a ação ao “cair na razão”, comunicando em seguida os agentes responsáveis por sua custódia. No momento do episódio, encontravam-se em sua residência a filha de 15 anos, um irmão mais velho e um assessor, mas, de acordo com Bolsonaro, todos dormiam e não perceberam a movimentação.
Questionamentos formais
A magistrada registrou que o ex-presidente não apontou qualquer abuso por parte dos policiais que cumpriram o mandado de prisão preventiva, executado às 6h de sábado, 22 de novembro. Durante a oitiva, Bolsonaro confirmou dados pessoais, disse não ter antecedentes criminais e negou intenção de deixar o país ou empreender fuga. Sobre a possibilidade de evasão, ressaltou que a vigília convocada por seu filho ocorre a cerca de 700 metros de sua residência, “sem criar tumulto que facilitasse fuga”.
Indagado pela defesa, o ex-mandatário destacou que a tornozeleira não teve a cinta rompida nessa tentativa e mencionou rompimento anterior apenas para realização de uma tomografia. Quanto aos profissionais que prescreveram os remédios, citou os médicos Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini, esta última responsável pela Sertralina sem contato prévio com os demais colegas.
Parecer do Ministério Público e decisão
O procurador Joaquim Cabral da Costa Neto declarou, em nome da PGR, que não foram relatadas irregularidades na execução do mandado de prisão, manifestando-se pela regularidade da custódia cautelar.
Ao fim da audiência, a juíza auxiliar homologou o cumprimento da ordem de prisão preventiva. No despacho, destacou que não houve denúncia de abuso policial e que as formalidades previstas na Resolução nº 213/2015 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) foram observadas. Assim, manteve-se o ex-presidente recolhido, deixando a análise do mérito do caso a cargo do ministro relator Alexandre de Moraes.
A audiência foi encerrada sem necessidade de assinatura presencial do custodiado, seguindo o disposto no artigo 195 do Código de Processo Penal para atos por videoconferência. A defesa anunciou que apresentará novos recursos nos próximos dias.
Com informações de Polemicaparaiba




