O deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) para criticar o governador João Azevêdo (PSB) após a decisão do vice-prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, de abandonar a presidência estadual do Partido Socialista Brasileiro. Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou que a medida foi motivada por cobranças de lealdade feitas pelo chefe do Executivo estadual.
“Aonde foi que eu errei? Aonde foi que Léo errou?”, questionou Hervázio, dirigindo-se ao governador e aos demais parlamentares presentes. Na avaliação do deputado, o filho, Léo Bezerra, manteve uma “interação perfeita” entre João Azevêdo e o prefeito da capital, Cícero Lucena (PP), relação que, segundo ele, teria gerado resultados positivos para João Pessoa e para todo o estado.
Cobrança de fidelidade
A irritação de Hervázio foi desencadeada logo após o vice-prefeito entregar o comando do PSB. O pedido de renúncia ocorreu em seguida à participação de Léo em um evento promovido pelo MDB, no qual foi oficializada a filiação de Cícero Lucena — pré-candidato ao governo estadual. Após o episódio, aliados apontaram que João Azevêdo passou a exigir demonstrações públicas de compromisso político, o que teria levado Léo Bezerra a optar pela saída do posto de dirigente partidário.
Durante o discurso, Hervázio ressaltou que diversos prefeitos declaradamente apoiam simultaneamente João Azevêdo e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) sem sofrer reprimendas. “A Paraíba inteira sabe que muitos gestores municipais dizem abertamente que votarão nos dois, mas o paladino da justiça e da moral não se manifesta contra eles”, ironizou o deputado, em alusão ao governador.
Ao reiterar que não identifica falhas na conduta de Léo, Hervázio atribuiu a crise ao que chamou de “pressão desnecessária” do Palácio da Redenção. O parlamentar ainda destacou que, mesmo fora da presidência do PSB, o vice-prefeito continuará apoiando iniciativas que beneficiem a capital paraibana.
Até o momento, João Azevêdo não se pronunciou oficialmente sobre as declarações do correligionário nem sobre a renúncia de Léo Bezerra ao comando da legenda. Já o vice-prefeito, por meio de assessores, limitou-se a confirmar que mantém sua filiação ao PSB, sem anunciar novos passos políticos.
O episódio amplia a tensão interna na sigla em meio às articulações para as eleições de 2024, nas quais alianças e coligações devem influenciar o cenário político estadual. Nos bastidores, interlocutores afirmam que a direção do PSB vai tentar contornar o desgaste para evitar novas desfiliações.
Com a repercussão do discurso, deputados da base e da oposição aguardam um posicionamento de João Azevêdo. A expectativa é que o tema volte a ser discutido nas próximas sessões da Assembleia, sobretudo diante da proximidade do calendário eleitoral.
Com informações de Diariodosertao




