O advogado Renato Abrantes classificou como “mistura muito perigosa” a crescente utilização de discursos religiosos para fins eleitorais. A avaliação foi feita no programa Direto ao Ponto, na segunda-feira, 27 de outubro de 2025.
Abrantes reconheceu que a religião possui papel social capaz de formar valores e orientar comportamentos, mas enfatizou a diferença entre testemunhar a fé e transformá-la em ferramenta de poder. Para o jurista, quando essa fronteira é ultrapassada, a democracia fica ameaçada.
O advogado citou o artigo 19, inciso I, da Constituição Federal para lembrar que o Estado brasileiro é laico e deve garantir a liberdade religiosa de todas as crenças, sem favorecer nenhuma delas. Ele ressaltou que a laicidade não representa hostilidade às religiões, mas sim a proteção de um espaço onde todas possam coexistir.
Ao comentar o papel de lideranças religiosas, Abrantes defendeu que a missão de “iluminar consciências” não pode se confundir com indução do voto. Segundo ele, transformar púlpitos em palanques compromete o caráter libertador da fé e coloca os fiéis em posição de obediência política irrefletida. “O voto é ato de consciência”, resumiu.
Imagem: Priscila Tavares
Para o jurista, religião e política devem dialogar sem que uma se imponha sobre a outra: “a fé pode mudar corações; a política, as estruturas”. Caso se fundam de maneira “insalubre”, avaliou, o resultado pode ser a erosão de princípios democráticos e o avanço de práticas teocráticas.
Com informações de Diário do Sertão


