O calendário de 2025 ficou registrado como um dos mais conturbados para a política brasileira e paraibana. Entre decisões judiciais, escândalos financeiros e conflitos internos, o ano foi marcado pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pela saída de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, por investigações de fraudes no INSS e por episódios de grande repercussão em municípios da Paraíba.
Condenação e prisão de Jair Bolsonaro
Em 12 de setembro, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento que apurou a participação de Jair Bolsonaro na tentativa de golpe relacionada aos atos de 8 de janeiro. O ex-presidente recebeu pena de 27 anos e 3 meses de prisão. No mesmo processo, outros sete aliados — entre eles os ex-ministros Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Anderson Torres — também foram condenados.
Já em prisão domiciliar por descumprir medidas cautelares, Bolsonaro foi novamente alvo da Justiça em 22 de novembro. A Polícia Federal o prendeu preventivamente em Brasília, após a suspeita de tentativa de violação da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A alegação de alucinações provocadas por medicação não convenceu o STF, que manteve a detenção.
Eduardo Bolsonaro e a crise diplomática
No início de março, o deputado Eduardo Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos e solicitou licença do mandato, alegando perseguição política. Durante a estadia, liderou campanha contra o governo brasileiro junto ao então presidente Donald Trump, fator que resultou em sanções baseadas na Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e familiares.
A articulação, porém, perdeu força quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aproximou de Trump e obteve a retirada parcial das punições. A operação diplomática enfraqueceu Eduardo, que acabou cassado em 18 de dezembro pela Câmara dos Deputados.
Fraude bilionária no INSS
Em abril, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União revelaram um esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi apontado como principal articulador e segue preso. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) prossegue no Congresso, enquanto o governo Lula já autorizou pagamento de indenizações às vítimas.
Cassação em Cabedelo
Em junho, o Tribunal Regional Eleitoral e, posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral confirmaram a cassação do prefeito de Cabedelo, André Coutinho, e da vice Camila Holanda, acusados de abuso de poder econômico e compra de votos nas eleições de 2024. Com a decisão, o presidente da Câmara Municipal assumiu o executivo até o pleito suplementar agendado para 12 de abril de 2026.
Rompimento em Santa Rita
Após vencer a disputa municipal de 2024 com 48,44 % dos votos — contra 46,50 % do adversário Nilvan Ferreira —, o prefeito Jackson Alvino nomeou o ex-gestor Emerson Panta para a Secretaria de Representação Institucional. Rumores de desavenças se confirmaram quando Alvino se aproximou do governador João Azevêdo e, em 2 de junho, exonerou Panta, consumando o principal rompimento político do estado em 2025.
Assassinato do vereador Peron Filho
O vereador Peron Filho, de Jacaraú, foi morto a tiros em 15 de setembro, enquanto retornava de motocicleta de uma partida de futebol. Cinco suspeitos foram presos em 30 de outubro. Entre os investigados estão Jeferson Carvalho da Silva, então secretário municipal de Transportes; Antônio Fernandes, secretário de Administração; e o empresário Reginaldo Lindolfo da Costa. Segundo o Ministério Público, sentimentos de vingança ligados à fiscalização exercida pelo parlamentar motivaram o crime. Em 19 de dezembro, Jeferson tornou-se réu após confessar participação, sendo denunciado por homicídio qualificado.
Sem trégua para escândalos, 2025 se encerrou sob a expectativa de novos julgamentos e desdobramentos políticos que deverão repercutir ao longo de 2026.
Com informações de Polemicaparaiba



