O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão, anunciada em setembro de 2026, representa o quinto corte seguido promovido pela autoridade monetária e era esperada pelo mercado financeiro.

Em comunicado, o Banco Central ressaltou que o ambiente externo segue incerto, devido à indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio e às expectativas sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Segundo a nota, esse cenário exige cautela por parte de países emergentes diante do aumento da volatilidade nos preços de ativos e de commodities.

Historicamente, a Selic havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, nível mais alto em quase duas décadas. O Copom retomou o ciclo de cortes em abril de 2026, ante um quadro de queda da inflação, mas o agravamento da guerra no Oriente Médio e o início do fenômeno El Niño complicam a condução da política monetária.

O colegiado também atuou com quadro reduzido: os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expiraram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso as indicações para ocupar as vagas.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto de 2026, o IPCA teve variação negativa de 0,32%, resultado mais baixo em quatro anos, influenciado pelo bônus de Itaipu nas contas de energia. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho.

Os preços dos alimentos recuaram 0,34% em agosto, o que contribuiu para a desaceleração da inflação no mês. No entanto, o início do El Niño é apontado como fator que tende a encarecer alimentos nos próximos meses, representando desafio adicional para o controle dos preços.

Desde janeiro de 2025 vigora o sistema de meta contínua definido pelo Conselho Monetário Nacional, com meta central de 3% para o IPCA e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. No regime de meta contínua, a verificação da meta passa a ser mensal, com apurações acumuladas em 12 meses que se deslocam ao longo do tempo.

No Relatório de Política Monetária divulgado ao fim de junho, o Banco Central elevou a projeção do IPCA para 2026 de 3,9% para 5,2%, revisão que deverá ser reavaliada em função da recente queda da inflação. A próxima edição do relatório está prevista para o fim deste mês.

Pesquisas de mercado mostram projeções menos otimistas: o boletim Focus, divulgado semanalmente pelo BC, aponta expectativa de inflação oficial de 4,9% em 2026, acima do teto do intervalo de tolerância de 4,5%. Antes do início do conflito no Oriente Médio, a mediana das expectativas estava em 3,95%.

O comunicado do Banco Central também destacou indicadores recentes do cenário doméstico, que apontam moderação gradual da atividade econômica, especialmente em setores cíclicos, mantendo, porém, certa resiliência, além de um mercado de trabalho aquecido. As medidas subjacentes de inflação desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas permanecem acima da meta.

Impacto sobre crédito e atividade

A redução da Selic tende a baratear o custo do crédito, estimulando produção e consumo, mas também reduz os instrumentos para conter pressões inflacionárias. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, projetando expansão de 2% no ano. Em contraste, a pesquisa Focus indica expectativa de crescimento mais modesta, de 1,89% para 2026, ligeira queda em relação à estimativa de quatro semanas antes.

A taxa Selic serve de referência nas operações do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e influencia as demais taxas praticadas na economia. Ao ajustar a Selic, o BC busca equilibrar o estímulo à atividade com a necessidade de manter a inflação sob controle.

Sem informações adicionais sobre futuras reuniões, o Copom mantém o foco em acompanhar a evolução dos preços, dos dados econômicos domésticos e das condições externas ao calibrar decisões futuras.

Com informações de Agência Brasil