O Banco Central (BC) lançou nesta terça-feira (30 de junho de 2026) a duplicata escritural, versão totalmente digital da duplicata tradicional usada em vendas a prazo entre empresas, com objetivo de modernizar o mercado de crédito empresarial.
A iniciativa, que inicia em fase de testes e terá adoção gradual até junho de 2028, permite que todo o ciclo do título — emissão, negociação, uso como garantia e pagamento — seja registrado eletronicamente em sistemas autorizados pelo BC. Segundo a autoridade, a mudança busca reduzir fragos, aumentar a segurança das operações e facilitar o acesso a crédito, com impacto especialmente relevante para pequenas e médias empresas (PMEs).
Como funciona
A duplicata escritural substitui documentos físicos e registros separados por um ambiente eletrônico em que o histórico do título fica acessível às partes autorizadas. A duplicata, que representa a dívida de uma empresa compradora perante uma vendedora em operações com pagamento futuro, poderá ser acompanhada integralmente no novo sistema.
Entre as vantagens apontadas estão maior transparência nas operações, rastreamento dos recebíveis, diminuição de fraudes, aumento da segurança para bancos e empresas e rapidez nos processos administrativos e financeiros.
Impacto para PMEs
Dimensão do mercado e cronograma
O BC estima que o mercado relacionado a essas operações envolva R$ 11 trilhões, com cerca de 2 milhões de empresas emissores de duplicatas e aproximadamente 18 mil grandes empresas na condição de sacadoras.
A implantação será escalonada: empresas de grande porte terão adesão obrigatória a partir de junho de 2027; médias empresas até dezembro de 2027; e pequenas empresas a partir de junho de 2028. Antes da obrigatoriedade, haverá etapa de testes para validar o funcionamento do ecossistema digital.
Riscos e ajustes operacionais
O BC afirma que o registro digital reduzirá problemas recorrentes no mercado de recebíveis, como a negociação múltipla do mesmo crédito ou dificuldades para comprovar a existência da dívida. Ainda assim, especialistas lembram que a tecnologia não elimina por completo os riscos: empresas precisarão manter controles internos, documentos fiscais corretos e organização financeira.
A mudança demandará integração entre áreas financeiras, fiscais, comerciais e jurídicas, além do alinhamento entre notas fiscais, pagamentos, contratos e registros eletrônicos. A duplicata escritural passa a representar uma etapa adicional na digitalização do crédito empresarial, com potencial para ampliar a transparência e a concorrência entre financiadores.
Com informações de Agência Brasil

