A chegada de Iara, em junho de 2026, marcou o primeiro registro de um bebê gerado por um homem trans na rede estadual de saúde da Paraíba. A criança é filha de Daniel Valentim e de Gisele Castro, mulher trans, e nasceu após uma gravidez planejada acompanhada pelo casal.
No Dia do Orgulho LGBT, celebrado em 28 de junho, Gisele comentou sobre a importância do nascimento e sobre a experiência da família. Ela ressaltou que a definição de família está ligada ao afeto, ao respeito e à união entre as pessoas.
Escolha do hospital
Moradores da cidade de Esperança, Daniel e Gisele iniciaram o pré-natal em Campina Grande. Ainda no primeiro mês de gestação, a gravidez foi classificada como de alto risco depois que Daniel recebeu diagnóstico de trombose, condição sanguínea que pode ocorrer em gestações. O casal também recebeu acompanhamento no ambulatório para pessoas transexuais vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.
Mesmo com o acompanhamento, Daniel relatou desconforto e temor de enfrentar preconceito, sobretudo quando soube que a obstetra responsável pelo pré-natal não faria o parto, que ficaria a cargo do plantonista da unidade. Em busca de um ambiente mais acolhedor, o casal avaliou outras opções e optou por transferir o pré-natal para o Hospital da Mulher, em João Pessoa.
A escolha foi influenciada pelo fato de a unidade realizar, por meio do Espaço LGBT Clementino Fraga, cirurgias de mastectomia em homens trans, o que indicava preparo da equipe para o atendimento desse público. Com apoio da coordenação do Espaço LGBT de João Pessoa, Daniel e Gisele conseguiram vaga e mudaram o pré-natal para a capital no oitavo mês de gestação. O médico que assumiu o acompanhamento avaliou os exames feitos em Campina Grande, constatou que a saúde de Daniel estava estável e confirmou que a unidade estava apta a atender o parto.
Segundo o casal, o parto no Hospital da Mulher foi conduzido com acolhimento e sem manifestações de preconceito, confirmando a escolha pela unidade. O pai descreveu o nascimento como um momento cercado de carinho e segurança por parte da equipe.
Desafios para a gestação
Daniel e Gisele se conheceram há cerca de quatro anos e manifestaram desejo de ter um filho desde então. A primeira tentativa ocorreu em 2023. Ambos precisaram interromper o tratamento hormonal para tentar a gestação, situação que pode provocar disforia em pessoas trans, por provocar retorno de características associadas ao sexo atribuído ao nascer.
Após nova tentativa no final de 2025, a gravidez evoluiu e, em junho de 2026, nasceu Iara. Familiares próximos acolheram bem a criança: a mãe de Daniel foi a primeira a visitar a bebê, e a família em geral ofereceu apoio ao casal.
A chegada de Iara é, para os pais, a confirmação da união construída com afeto e respeito.
Com informações de Jornaldaparaiba




