O ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB) afirmou, em entrevista ao Polêmica Paraíba, que não apoiará publicamente nenhum postulante à Presidência da República durante sua campanha ao governo da Paraíba. Cícero destacou que o MDB tende a liberar seus filiados e que outros partidos que têm candidaturas presidenciais também o apoiam. “Não sou dono do voto de ninguém”, disse, acrescentando que terá “o palanque da Paraíba” e atuará pelos interesses do estado independentemente de quem vença a eleição para presidente.

Cícero relatou os motivos do rompimento com o Progressistas e com o governador João Azevêdo (PSB). Segundo ele, deixou o partido por discordar da chamada “opção hereditária” que teria sido adotada na sucessão estadual, e afirmou ter se sentido desrespeitado ao saber pela imprensa que o então vice Lucas Ribeiro seria o candidato. Após deixar o PP, informou que foi convidado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo a ingressar no MDB, com a garantia de espaço para disputar o Executivo estadual.

O pré-candidato explicou que renunciou à prefeitura de João Pessoa — cargo para o qual havia sido eleito pela quarta vez — porque acredita que pode contribuir mais pelo desenvolvimento da Paraíba como governador. Ele terá como vice o empresário Diogo Cunha Lima, filho do ex-governador Cássio e neto de Ronaldo Cunha Lima.

Na entrevista, Cícero retomou trechos de sua trajetória política: atuou como vice-governador na gestão de Ronaldo Cunha Lima na década de 1990, assumiu o governo por cerca de dez meses quando Ronaldo renunciou, foi secretário de Políticas Regionais no governo Fernando Henrique Cardoso (cargo com status de ministro) e elegeu-se senador em 2006. Citou realizações e experiências administrativas, como a criação de 52 municípios em 1994 e o envolvimento na transposição das águas do rio São Francisco.

Questionado sobre a relação com o governo federal, disse ter obtido apoio em administrações de Jair Bolsonaro e de Luiz Inácio Lula da Silva para projetos de João Pessoa, e afirmou que, se eleito, irá buscar recursos e parcerias com quem estiver no Planalto para obras como adutoras e ações de segurança hídrica.

Cícero criticou a atual gestão estadual em vários pontos: atraso de pagamentos a restaurantes credenciados no programa “Tá na Mesa”, paralisação de transportes escolares por atraso de seis meses, redução do número de cirurgias no Hospital Metropolitano, problemas de abastecimento em cidades como Cuité e adiamento de concurso de professores. Também apontou supostas nomeações políticas de ocupantes de secretarias.

Sobre a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), o pré-candidato afirmou haver falta de transparência no contrato firmado com uma empresa espanhola e prometeu cancelar o acordo “no dia primeiro de janeiro”, caso seja eleito.

Ao tratar da disputa presidencial, reiterou que seu foco é a Paraíba e que não terá palanque definido: “o meu presidente é a Paraíba”, declarou. Referiu que o senador Veneziano é, no estado, o maior aliado do presidente Lula, mas que sua campanha estadual seguirá independente de apoios presidenciais. Questionado sobre a possibilidade de segundo turno, mencionou trocas de apoio com o senador Efraim Filho (PL), que teria dito que votaria nele caso não chegasse ao segundo turno, e afirmou que também poderia apoiá-lo se as posições se invertessem.

Ao longo da entrevista, Cícero reafirmou a intenção de governar com foco em saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e apoio ao pequeno agricultor, citando programas já implementados em sua gestão municipal como referência para uma atuação estadual.

Ele encerrou a fala afirmando confiança na vitória e na capacidade de transformar a Paraíba a partir de 2027, mantendo como prioridade a defesa do interesse público e a busca por recursos federais independentemente do partido no Planalto.

Com informações de Polemicaparaiba