Cícero Lucena, ex-prefeito de João Pessoa e candidato ao governo da Paraíba pelo MDB, enfrenta nos últimos dias uma série de revezes políticos e judiciais que colocam em dúvida sua participação efetiva nas eleições que têm turno marcado para amanhã. Além das dificuldades internas na própria chapa, o nome do emedebista foi alvo de recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitado pelo Ministério Público Eleitoral, que atribui a ele benefício de atuação de uma facção criminosa nas eleições municipais de 2020 e 2024.
Candidatura sob análise do TSE
No julgamento ocorrido ontem, o TSE formou maioria pelo indeferimento do registro de Cícero, mas o processo foi interrompido por pedido de vista, faltando ainda dois votos, inclusive o do presidente da Corte, Nunes Marques. A defesa do candidato, conduzida pelo advogado Walter Agra, argumentou que o pedido de vista reinicia a análise do caso, permitindo a apresentação de contradições e reforçando que Lucena não possui condenação criminal nem denúncia formal contra si.
Com a candidatura em situação de sub judice, Cícero e sua equipe receberam com alívio a suspensão provisória do julgamento, que, na visão da defesa, abre espaço para tentar reverter uma decisão desfavorável. O caso ganhou repercussão política na Paraíba por ocorrer em meio a uma campanha acirrada, em que o ex-prefeito disputa votos com o governador Lucas Ribeiro (PP) e o senador Efraim Filho (PL).
Contexto político e reação
Ao atribuir o processo no TSE a uma tentativa do “esquema governista” de decidir a disputa no tribunal em vez das urnas, Cícero buscou manter foco na mobilização eleitoral. Ele manteve atos na capital e no interior para não desmobilizar militância, ressaltando confiança de que a decisão final será definida pelos eleitores. O episódio judicial intensificou a polarização entre apoiadores dele e de Lucas Ribeiro, antigos aliados que romperam no ano passado.
A mobilização em defesa de Cícero envolve o senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual do MDB e candidato à reeleição, responsável por articular a filiação de Lucena ao partido. Veneziano também enfrenta críticas de concorrentes, entre eles o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), pai do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara.
Trajetória da candidatura e dificuldades internas
Cícero liderou pesquisas de intenção de voto no início da pré-campanha, o que o levou a renunciar a quase três anos de mandato na Prefeitura de João Pessoa para disputar o governo. No entanto, sua campanha sofreu perdas de apoio e oscilações de intenção de voto. Problemas na montagem da chapa ao Senado, com rejeição interna ao segundo candidato André Gadelha, e o êxodo pontual de apoios favoreceram adversários, alternando ganhos entre Lucas Ribeiro e Efraim Filho.
Além das questões políticas e judiciais, o texto original lembra episódios da vida pessoal do candidato, como viagens a zonas de conflito, citando a expressão “Faixa de Gaza” em referência a situações de risco que o próprio Cícero enfrentou. Agora, a batalha judicial no TSE representa um desafio que pode resultar em inelegibilidade, caso a Corte confirme o indeferimento do registro após a conclusão do julgamento.
Enquanto a análise no tribunal permanece pendente, a campanha de Cícero segue ativa, com a estratégia de não interromper a agenda para tentar preservar a base de apoio até a definição final do caso.
Com informações de Polemicaparaiba



