Comerciantes no entorno do Açude Velho, em Campina Grande (PB), afirmam que as vendas caíram em até 80% desde a aparição de milhares de peixes mortos e o consequente mau cheiro.
O problema ganhou destaque no último domingo (11), quando equipes da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) iniciaram a remoção de mais de 10 toneladas de peixes sem vida do principal ponto turístico da cidade. A mortandade, atribuída ao acúmulo de fósforo e nitrogênio que reduz o oxigênio na água, tem gerado odores fortes e atraído insetos, afastando frequentadores e afetando o comércio local.
Emanuel Laury, proprietário de um estabelecimento familiar de 60 anos que funciona há três anos em frente ao reservatório, relata que o fluxo de clientes despencou. “O movimento caiu cerca de 80% desde que o problema se agravou. Tentamos aumentar as vendas por delivery, mas o prejuízo já é real”, disse o comerciante. Ele acrescentou que, além do odor constante, a dedetização, antes quinzenal, passou a ser necessária duas vezes por semana devido à proliferação de insetos.
Outra afetada é Andreza Katia, que vende lanches e água de coco perto do açude. “As pessoas não aguentam o odor e deixaram de parar aqui. Tenho funcionários e contas a pagar, mas os clientes simplesmente evaporaram”, afirmou. Apesar das dificuldades, ela elogiou o trabalho dos mais de 60 profissionais da Sesuma, que atuam diariamente na limpeza do local.
Impacto em pontos culturais
Além das lojas, museus instalados ao redor do açude também monitoram a situação. O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), conhecido como Museu dos Três Pandeiros, continua aberto, mas pode rever seu funcionamento caso o fluxo de visitantes diminua ainda mais. Já o Sesi Museu Digital permanece fechado para manutenção na internet, e sua reabertura será avaliada de acordo com as condições de visitação na região.
Ações da Prefeitura
Na manhã de segunda-feira (12), representantes da Sesuma e da Secretaria de Obras de Campina Grande (Secob) reuniram-se para definir medidas emergenciais. Segundo o titular da Sesuma, Dorgival Vilar, os peixes recolhidos estão sendo encaminhados a um aterro sanitário. A prefeitura também planeja reforçar o uso de aeradores para inserir oxigênio na água e evitar novos episódios de mortandade.
A perspectiva de comerciantes e frequentadores é que, com a intensificação dos trabalhos de limpeza e oxigenação, o entorno do Açude Velho recupere suas condições normais de visitação e comércio.
Com informações de Jornaldaparaiba




