As campanhas eleitorais se expandiram para o ambiente digital, onde vídeos, enquetes, memes, acusações, promessas e recortes de entrevistas aparecem constantemente nas timelines dos usuários. A oferta de informação nunca foi tão grande antes do momento do voto.
O principal questionamento levantado pelo colunista Jeoás Farias é quem decide o que cada internauta recebe. A resposta apontada são os algoritmos: sistemas que organizam os conteúdos com base nas interações do usuário — o que assistimos, curtimos, compartilhamos, pesquisamos e o tempo dedicado a cada peça.
Esse mecanismo explica por que duas pessoas podem ter experiências eleitorais digitais completamente distintas. Enquanto um usuário acompanha diariamente determinados candidatos, outro pode praticamente não ter contato com eles. Assuntos que dominam a tela de um grupo podem nem chegar à atenção de outro.
Daí surge a sensação comum nas redes sociais de que “todo mundo está falando disso”. Farias lembra que essa percepção pode se limitar à sua própria bolha virtual e não refletir o conjunto do eleitorado. O fato de um tema ser repetido não o transforma automaticamente em verdade.
O problema vai além das notícias falsas. Informações verdadeiras também podem induzir ao erro quando são manipuladas: vídeos podem ser recortados, declarações tiradas do contexto, fotos antigas reaproveitadas como atuais ou números corretos empregados para sustentar conclusões duvidosas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera conteúdos falsos e gravemente descontextualizados como parte da desinformação eleitoral.
Além disso, há tendência humana de dar mais crédito a mensagens que confirmam crenças preexistentes. Por isso, Farias recomenda cautela com conteúdos que provoquem forte raiva, medo, indignação ou euforia — emoções que devem servir como alerta para checagem antes de compartilhar.
Os algoritmos não deveriam decidir por qual candidato uma pessoa vota, mas têm papel relevante na seleção das informações que chegam ao eleitor antes da votação. Por isso, consumir melhor o que recebemos é tão importante quanto ter acesso a mais informação.
Antes de votar, uma pergunta final proposta pelo autor: quanto daquilo que levarei à urna foi procurado por mim e quanto simplesmente apareceu na minha tela e me influenciou?
Com informações de Jornaldaparaiba




