O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (4) a penúltima reunião do calendário anual para definir a Taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. O mercado financeiro, segundo o boletim Focus, espera um corte para 13,5% ao ano, o que representaria a sexta redução seguida dos juros básicos.

A decisão será divulgada no início da noite de hoje. Apesar das apostas por uma nova diminuição, economistas e agentes observam fatores que influenciam a condução da política monetária, como a alta recente do dólar e as consequências no cenário internacional.

Contexto e composição do Copom

O Copom chega à reunião com dois dois assentos vagos: os mandatos dos ex-diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enviou ao Congresso Nacional as indicações para os cargos.

Na ata do encontro de setembro, o comitê havia reforçado uma postura cautelosa diante de pressões por demanda sobre o nível de preços. Contudo, aquele documento foi publicado antes dos efeitos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o mercado financeiro.

Inflação

A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou queda em outubro, chegando a 0,32% no mês. No entanto, no acumulado em 12 meses essa prévia subiu de 4,5% para 4,62%, situando-se acima do teto do intervalo de tolerância da meta de inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA completo de setembro no dia 12 de novembro. Enquanto isso, o boletim Focus elevou a projeção de inflação para 2026 de 5,19% para 5,22%, influenciado pelo conflito no Oriente Médio e pela recente valorização do dólar.

Taxa Selic e instrumentos

A Selic é usada nas operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e funciona como referência para as demais taxas de juros na economia. O Banco Central, por meio de operações diárias de mercado aberto, busca manter a taxa efetiva próxima ao patamar definido pelo Copom.

Taxas mais altas tendem a conter a demanda e a reduzir pressões inflacionárias ao encarecer o crédito e incentivar a poupança; por outro lado, cortes na Selic podem reduzir o custo do crédito e estimular atividade econômica, com impacto eventual sobre a inflação.

Metas e previsões

Pelo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, o centro da meta de inflação é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, limite superior de 4,5%. No último Relatório de Política Monetária, divulgado em setembro, o Banco Central manteve a previsão para o IPCA em 5,2% para o ano, mas alertou que a estimativa pode ser revisada caso a alta do dólar persista. A próxima edição do documento será publicada no fim de dezembro.

Além da taxa de câmbio e dos preços do petróleo, a inflação enfrenta pressões vindas do aumento de gastos públicos e do fenômeno climático El Niño, que pode elevar os preços dos alimentos nos próximos meses.

O Copom reúne-se a cada 45 dias; no primeiro dia há apresentações técnicas sobre a economia doméstica e global e sobre o comportamento do mercado financeiro, e no segundo dia os diretores do Banco Central deliberam sobre a definição da Selic.

Com informações de Agência Brasil