Hoje é domingo, 20 de setembro. Daqui a dois domingos, no dia 4 de outubro, ocorre a eleição.
Nas redes sociais, vídeos recentes têm mostrado trabalhadores contratados por prefeituras sendo cobrados por não terem comparecido a atos políticos. Em algumas gravações aparece uma pessoa que passou a ser chamada de “fiscal de deputado”, que registra nomes em cadernos ou mesmo no celular e questiona os ausentes.
Voto de cabresto modernizado
O fenômeno lembrou ao autor da reportagem uma aula sobre o início da República brasileira, quando o voto não era secreto e coronéis controlavam eleitores. Hoje, com urna eletrônica e legislação eleitoral, o cenário formal mudou, mas as práticas de pressão parecem adaptar-se a meios contemporâneos.
Em vez de checar cédulas, o controle aparece em mensagens de aplicativos, convites para tirar fotos em eventos, listas de presença e cobranças para exibir bandeiras ou adesivos. Há também relatos de perguntas diretas que deixam claro o tom da cobrança, como “Você vai, não vai?”, expressão que, segundo os vídeos, é suficiente para transmitir a exigência.
A reprodução desses mecanismos em grupos de WhatsApp e em outras formas de comunicação digital dá nova roupagem ao que se conhece como voto de cabresto, utilizando a tecnologia para pressionar eleitores vinculados a contratos precários.
Medo, dependência e emprego público
O texto destaca que é fácil julgar quem cede às pressões, mas lembra que muitas pessoas enfrentam contas a pagar, alimentação a prover, aluguel e contratos que podem não ser renovados. Quando a manutenção de um vínculo empregatício depende de autoridades temporárias, o emprego público pode deixar de ser garantia de dignidade para se transformar em instrumento de dependência política.
Por isso, o autor defende a importância do concurso público como proteção contra esse tipo de dependência, ressaltando que servidor público não deveria ter dono e que o voto também não deveria estar submetido a ameaças veladas.
Daqui a dois domingos, milhões de eleitores votarão individualmente em frente às urnas, um momento em que chefes, fiscais e detentores de contratos ficam do lado de fora, e que evidencia a contradição entre o sigilo do voto e a persistência do medo público.
Com informações de Polemicaparaiba


