Uma retrospectiva reúne falas do ex-presidente Jair Bolsonaro que marcaram sua trajetória política entre a década de 1990 e a campanha eleitoral de 2018. As declarações abordam temas como ditadura militar, direitos humanos, minorias e violência contra adversários políticos.

Exaltação à ditadura e à tortura

No fim dos anos 1990, quando ainda era deputado do chamado “baixo clero”, Bolsonaro afirmou em entrevistas que o regime militar cometeu um equívoco ao “torturar em vez de matar” e declarou apoio irrestrito ao uso da tortura, afirmando que a prática teria respaldo popular. Em outro momento, declarou que mudanças profundas no país só ocorreriam em meio a uma “guerra civil” na qual, segundo ele, seria necessário “eliminar cerca de 30 mil pessoas”, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No plenário da Câmara, também no fim dos anos 1990, o então parlamentar defendeu publicamente a possibilidade de uma intervenção militar caso o Congresso avançasse, segundo sua percepção, “rumo ao abismo”.

Pronunciamento no impeachment de Dilma

Em 17 de abril de 2016, durante a votação que autorizou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como torturador durante a ditadura.

Campanha de 2018 e ameaças aos opositores

Já como candidato à Presidência, em comício no Acre, declarou que pretendia “fuzilar a petralhada” e prometeu expulsar ou prender simpatizantes do PT que, segundo ele, preferissem ficar no Brasil. No mesmo período, afirmou que “marginais vermelhos” seriam banidos do país caso não se submetessem à lei.

Declarações sobre segurança pública

Comentando o massacre do Carandiru, em São Paulo, em 1992, Bolsonaro disse que “morreram poucos” e que a Polícia Militar “tinha que ter matado mil”.

Ataques a minorias e direitos humanos

Em evento na Paraíba em 2017, defendeu que “as minorias se curvem às maiorias” e que, se não se adequassem, “desaparecessem”. Em diversas entrevistas, manifestou-se contra direitos de pessoas LGBTQIA+: disse preferir ver um filho morto a vê-lo “com um bigodudo” e afirmou que 90% dos meninos adotados por casais homoafetivos se tornariam homossexuais e “garotos de programa”.

Sobre pessoas vivendo com HIV, declarou não ter intenção de ajudar organizações dedicadas ao tema, priorizando, segundo ele, “garotos decentes”. Ao tratar de políticas de cotas, afirmou que era preciso acabar com o “coitado do negro, da mulher, do gay, do nordestino”.

Falas consideradas racistas e misóginas

Em palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, classificou um grupo de quilombolas como “afrodescendentes que não serviriam nem para procriar”. Ao se referir à deputada Maria do Rosário (PT-RS), afirmou que não a estupraria porque ela “não merecia” e “não fazia seu tipo”. Em entrevista posterior reforçou o comentário, chamando-a de “muito feia”.

Bolsonaro também fez referência à própria filha, dizendo que, após ter quatro filhos homens, “deu uma fraquejada” e nasceu uma menina. Em outra entrevista, contou que usava o auxílio-moradia da Câmara, à época em que era solteiro, para “comer gente”.

Críticas a imigrantes e ONGs

Quando questionado sobre a chegada de estrangeiros, afirmou que “a escória do mundo” estava entrando no Brasil. Já sobre organizações não governamentais, prometeu cortar repasses: “Esses inúteis vão ter que trabalhar”.

As declarações, feitas em diferentes contextos e épocas, continuam repercutindo no debate público sobre liberdade de expressão, responsabilidade de agentes políticos e memória da ditadura militar no país.

Com informações de Jornaldaparaiba