O delegado da Polícia Civil da Paraíba Braz Morrone e dois agentes da corporação foram detidos na manhã desta terça-feira (2) durante uma operação que apura participação de policiais em um esquema de favorecimento ao tráfico de drogas. As autoridades investigam o repasse de informações sigilosas a integrantes de organização criminosa.
Ao todo, a ação cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados.
A Operação Perfidus, que chegou à sua quarta fase, é conduzida pela Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Ministério Público da Paraíba, envolvendo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), a Unidade de Inteligência Policial (UNINTELPOL) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
As apurações indicam que o grupo tinha atuação estruturada e contava com a participação de agentes públicos. Investigadores apontam que membros da organização obtinham informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por traficantes para guardar e transportar entorpecentes. Com esses dados, os suspeitos promoviam ações clandestinas, valendo-se da condição funcional e da aparência de legalidade derivada do exercício da atividade policial.
Segundo os elementos colhidos, parte das drogas apreendidas nessas operações era desviada e, em seguida, comercializada ilegalmente, inclusive dentro do sistema prisional. Os recursos obtidos com a venda dos entorpecentes, de acordo com as investigações, eram divididos entre agentes públicos e demais integrantes da organização criminosa.
Também foram identificados indícios de manipulação de procedimentos policiais para conferir uma aparência de legalidade às ações ilícitas e para dificultar a identificação do esquema. As investigações apontam ainda para a retirada clandestina de drogas armazenadas em unidade policial, provenientes de apreensões formalmente registradas.
Outro ponto apurado é o repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações a integrantes do tráfico, o que teria permitido frustrar ações repressivas, favorecer a fuga de suspeitos e garantir a continuidade das atividades criminosas.
A Polícia Civil da Paraíba e o Ministério Público estadual informaram que as investigações continuam em curso para aprofundar os fatos e responsabilizar todos os envolvidos.
Com informações de Maispb



