Operação e prisões
A Polícia Federal cumpriu, na terça-feira (29), a Operação Zona de Influência, que apura suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes públicos e integrantes de uma facção que atua em comunidades da Paraíba. Um dos alvos identificados pela investigação é o deputado estadual Caio Roberto, filiado ao MDB.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, as equipes da PF apreenderam R$ 220 mil.
Posicionamento do deputado
Em nota, a defesa de Caio Roberto afirmou que o parlamentar, candidato à reeleição em 2026, conduz sua campanha dentro das normas eleitorais e que não praticou ilícito. Segundo o comunicado, o deputado colaborou com as diligências da Polícia Federal e, no decorrer da ação, não foram encontrados dinheiro ou outros elementos que indicassem crime eleitoral ou vínculo com organizações criminosas. O parlamentar declarou que seguirá com a campanha e permanecerá à disposição da Justiça Eleitoral.
Perfil do deputado
Caio Figueiredo Roberto, de 41 anos, é natural de Campina Grande (PB) e formado em Direito. Ingressou na vida pública em 2010, quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez, e foi reeleito em 2014, 2018 e 2022. Nas eleições de 2026, concorre novamente ao cargo pelo MDB.
Na declaração à Justiça Eleitoral, Caio Roberto informou ter R$ 6,54 milhões em bens. Entre os itens de maior valor constam 675 cabeças de gado bovino, avaliadas em R$ 795 mil; uma residência em Cabedelo, avaliada em R$ 768 mil; e um imóvel residencial em Tambaúzinho, João Pessoa, declarado por R$ 600 mil. O deputado também declarou R$ 755 mil em letras de crédito do agronegócio, além de outros imóveis, veículos e participações societárias.
Afastamento de secretário e investigação
Além do deputado, a Justiça Eleitoral determinou o afastamento cautelar por 90 dias de um secretário municipal de João Pessoa. Trata-se de Júnior Pires, secretário-chefe do Procon da capital, que foi apontado como alvo da operação e teve o afastamento determinado pela corte.
A Prefeitura de João Pessoa informou que ainda não recebeu notificação oficial sobre a decisão judicial e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Alvos da apuração
Segundo a Polícia Federal, membros da facção teriam utilizado o controle territorial sobre comunidades para negociar apoio a candidatos e permitir a entrada de postulantes em atos de campanha nesses locais. Em troca, a investigação apura pagamentos a uma liderança do grupo, o custeio de despesas de um centro comunitário e tratativas envolvendo cargos e empregos na administração pública, entre outros benefícios.
Os fatos apurados, em tese, envolvem crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado. As diligências visam aprofundar a investigação e individualizar as condutas dos envolvidos.
O parlamentar afirmou ainda que continuará a campanha e permanecerá à disposição da Justiça Eleitoral.
Com informações de G1




