O dólar voltou a se aproximar de R$ 5,20 na sexta-feira (28) após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotar um discurso mais duro sobre a inflação dos Estados Unidos. Enquanto a moeda norte-americana avançou, a bolsa brasileira manteve a sequência positiva e registrou a oitava sessão consecutiva de alta.
Câmbio
O dólar comercial operou majoritariamente em alta ao longo do pregão, acompanhando a valorização da moeda no exterior depois do discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de dirigentes de bancos centrais. A moeda abriu em R$ 5,1581, ganhou força pela manhã e alcançou máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. Ao final do pregão, desacelerou e fechou a semana vendido a R$ 5,196 (0,62%).
Com esse fechamento, a cotação acumulou alta de 1,06% na semana. No ano, o dólar ainda apresenta queda de 5,34%.
A alta global do dólar foi impulsionada pela sinalização de Warsh de que o Fed terá “trabalho a fazer” caso não haja confiança de que a inflação subjacente retorne de forma clara e rápida à meta de 2%. O comentário elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e reforçou as apostas por um possível aumento da taxa de juros em setembro. O título de dois anos do Tesouro, sensível às expectativas sobre política monetária, subiu mais de 0,1 ponto percentual, atingindo rendimento de 4,35%.
O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,57% no fim da tarde, aos 99,668 pontos.
Mercado de trabalho e juros
No Brasil, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou criação de 58.568 vagas formais em julho, número inferior ao esperado por instituições financeiras. O resultado reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e alimentou expectativas de corte da taxa Selic pelo Banco Central em setembro.
A expectativa majoritária é de redução de 0,25 ponto percentual da Selic, para 13,75%, com possibilidade de novo corte em novembro. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, enquanto a taxa básica dos EUA está na faixa de 3,50% a 3,75%, diferença que influencia o fluxo de recursos e o câmbio.
Ibovespa
O principal índice da B3 encerrou o dia em alta, embora tenha perdido força após o discurso de Warsh. O Ibovespa chegou a superar 176 mil pontos no início do pregão, mas fechou em 175.664,62 pontos, com variação positiva de 0,30%. Foi a oitava sessão seguida de alta do índice, que na semana acumulou ganho de 2,71%.
No mês de agosto o Ibovespa ainda registra queda de 1,31%, e no acumulado de 2026 a valorização chega a 9,02%. Dados da B3 mostram entrada líquida de recursos estrangeiros nos quatro pregões anteriores, com saldo positivo de R$ 1,3 bilhão, mas no acumulado de agosto o fluxo estrangeiro permanece negativo em R$ 18,7 bilhões.
Bolsas nos Estados Unidos
Em Nova York, os principais índices fecharam em baixa diante da perspectiva de aperto mais prolongado da política monetária do Fed. O Dow Jones caiu 0,02%, aos 53.559,99 pontos; o S&P 500 recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos; e o Nasdaq teve queda de 0,52%, aos 26.402,42 pontos. O Nasdaq foi o mais afetado, após ter avançado mais de 1% na sessão anterior. A alta nos rendimentos dos títulos públicos dos EUA diminuiu o apetite por ativos de maior risco e pressionou os índices.
* Com informações da Reuters
Com informações de Agência Brasil




