Uma corrente de água escura e com cheiro forte foi filmada desaguando no mar entre os bairros do Bessa, em João Pessoa, e Intermares, em Cabedelo, na manhã de domingo (19). Equipe da TV Cabo Branco registrou o flagrante, em imagens nas quais é possível notar a diferença de coloração entre o líquido que sai de um rio próximo e a água do mar.
De acordo com apuração no local, o volume de água vem de um rio nas imediações e desemboca diretamente no oceano. As imagens mostram o ponto de lançamento e o contraste visível entre o efluente e a água marinha.
O G1 entrou em contato com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) e com a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). A Cagepa informou que “não possui nenhum tipo de interligação que possa gerar extravasamento de esgotos para praia ou galerias pluviais” e que realiza “monitoramento tanto por equipes volantes quanto por monitoramento remoto das estações elevatórias”. Sobre providências relativas ao episódio, a companhia afirmou que, por não haver problema na rede por ela gerida, “portanto não há o que ser feito pela Cagepa”.
No início de março, em decisão liminar, o juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara de Fazenda Pública de João Pessoa, determinou medidas urgentes para impedir o lançamento irregular de esgoto nas praias urbanas da cidade, incluindo o trecho do Bessa. A determinação, proferida em 9 de março, decorre de Ação Civil Pública movida por uma entidade ambiental que apontou degradação em vários pontos da orla de João Pessoa, como Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa.
A decisão judicial direciona obrigações à Prefeitura de João Pessoa, à Cagepa e à Sudema, além do Estado da Paraíba. No texto do processo, a entidade autora relata indícios de falhas no sistema de esgotamento sanitário, insuficiência no tratamento de resíduos e omissão na fiscalização pelos órgãos competentes. O magistrado destacou o risco imediato associado ao despejo de esgoto no mar, citando perigo de doenças para banhistas e prejuízo ao equilíbrio do ecossistema marinho e à qualidade ambiental das praias.
Para enfrentar o problema, o juiz estabeleceu prazo de 30 dias para que Prefeitura, Cagepa, Sudema e o Estado apresentem um plano de ação destinado a interromper o lançamento de esgoto não tratado na orla. A decisão também exige monitoramento mais rigoroso da qualidade da água, com coleta de amostras no momento do lançamento dos efluentes, e inclusão da análise da qualidade da areia das praias nos relatórios oficiais.
O registro da manhã de domingo reforça a preocupação com pontos de desembarque de água escura na região, enquanto as autoridades citadas mantêm procedimentos de acompanhamento e, em decisão judicial recente, foram cobradas ações concretas para evitar novos despejos.
Com informações de G1



