Um estudo conjunto da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgado em 5 de maio de 2026, conclui que a adoção da gratuidade no transporte público nas 27 capitais brasileiras representaria uma injeção de R$ 60,3 bilhões por ano na economia do país. Segundo os pesquisadores, o impacto poderia ser comparável ao do Programa Bolsa Família em termos de distribuição de renda.

Escopo e metodologia

Intitulada “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda”, a pesquisa foi coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB. O trabalho analisou o transporte metropolitano de ônibus e sistemas de trilhos, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade de 2024 e indicadores fornecidos por operadoras de ônibus e por sistemas metroferroviários.

Liquidez imediata

Os pesquisadores subtraíram do total 24,38% referentes a isenções e gratuidades já existentes — como para idosos, estudantes e pessoas com deficiência —, que correspondem a cerca de R$ 14,7 bilhões atualmente em circulação. Com esse ajuste, a injeção efetiva de recursos decorrente da tarifa zero seria de R$ 45,6 bilhões, na avaliação do estudo.

Trindade afirmou que a medida converteria gastos obrigatórios com transporte em renda disponível nas famílias, gerando um estímulo econômico imediato por meio do consumo e da arrecadação tributária sobre bens e serviços.

Tarifa zero como política social

Os autores defendem que a gratuidade universal poderia funcionar como um “salário indireto”, beneficiando de forma proporcionalmente maior os grupos mais vulneráveis, a população negra e moradores de periferias. O estudo sugere tratar a tarifa zero como um direito social, similar aos modelos de saúde pública e educação gratuita.

Financiamento

Entre as alternativas de financiamento discutidas, aparece a substituição do atual sistema de vale-transporte por outro mecanismo contributivo direcionado a empresas com dez ou mais empregados. A equipe de pesquisa estima que 81,5% dos estabelecimentos ficariam isentos da contribuição proposta. Trindade afirmou que é possível implementar um programa de tarifa zero sem onerar o orçamento da União.

O trabalho contou com financiamento da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional e apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.

Com informações de Agência Brasil