O ex-deputado estadual Anísio Maia (PSB) afirmou, nesta sexta-feira (22), em entrevista ao Programa Hora H, veiculado pela Rádio POP FM e Rede Mais, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um Congresso dominado por parlamentares que atuam por interesses financeiros, o que impediria a aprovação de projetos que beneficiem a população.

Segundo Anísio Maia, a influência do sistema financeiro sobre os deputados é um dos principais obstáculos. Ele apontou os juros elevados como reflexo de um modelo em que os bancos acabam por “drenar” a riqueza do país, prejudicando medidas de impacto social. Na visão do ex-parlamentar, o comércio aberto favorece sobretudo instituições financeiras e grandes interesses econômicos, enquanto os efeitos para a população são negativos.

Durante a entrevista, Anísio defendeu a necessidade de uma reforma política ampla. Ele considerou que a democracia brasileira está “deformada” e citou a presença de grandes grupos financeiros, usando como exemplo o chamado caso Master, para ilustrar essa relação de dependência entre poder econômico e representação política.

Outro ponto criticado pelo ex-deputado foi o mecanismo das chamadas emendas “pix”. Para Anísio Maia, esse formato alterou a dinâmica do Parlamento e passou a transformar muitos legisladores em intermediários de repasses, comportamento que ele definiu como de “despachantes de emendas”. Ele afirmou que a negociação dessas emendas ocorre de forma que dificulta a fiscalização adequada dos recursos.

O ex-deputado também fez críticas ao funcionamento dos partidos políticos, afirmando que algumas legendas estão distorcidas e que existem estruturas que se assemelham a capitanias hereditárias, com controle familiar sobre determinadas siglas. Na avaliação dele, esse cenário contribui para o enfraquecimento da representatividade e para a manutenção de práticas clientelistas.

Anísio Maia relacionou esses fatores — influência dos bancos, emendas direcionadas e controle partidário concentrado — como causas da dificuldade do governo em aprovar propostas consideradas pelo ex-deputado como de interesse público.

Com informações de Maispb