O faturamento da indústria de transformação brasileira registrou alta de 3,8% em março na comparação com fevereiro, segundo a pesquisa Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (8). Apesar da melhora mensal, o setor ainda mostra recuo em relação ao ano anterior, afetado por juros elevados e menor demanda.

Os principais números apontam:

• Alta de 3,8% do faturamento em março frente a fevereiro;

• Nível 9,8% superior ao de dezembro de 2025;

• Queda acumulada de 4,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

Impacto dos juros

Em nota, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, observa que a elevação da taxa de juros a partir do fim de 2024 e sua persistência em 2025 reduziram a demanda por bens industriais. Segundo ele, juros mais altos encarecem o crédito, retraem consumo e investimentos e, com isso, diminuem as encomendas às fábricas.

Produção avança

As horas trabalhadas na produção aumentaram pelo terceiro mês seguido, sinalizando recuperação gradual das atividades nas linhas de produção.

• Alta de 1,4% em março;

• Queda acumulada de 1,5% no trimestre em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O indicador mede o tempo efetivamente dedicado à produção; quando sobe, costuma indicar expansão do ritmo produtivo.

Ociosidade persiste

A utilização da capacidade instalada (UCI) subiu levemente entre fevereiro e março, mas permanece abaixo dos níveis verificados no ano passado, indicando espaço ocioso no parque industrial.

• UCI passou de 77,5% para 77,8%;

• Alta de 0,3 ponto percentual entre fevereiro e março.

Segundo a análise da CNI, há equipamento e mão de obra disponíveis, mas a produção está inferior ao potencial devido à demanda mais fraca.

Emprego e salários

O mercado de trabalho industrial continua pressionado, com redução nas contratações e queda na massa salarial em março.

• Emprego industrial caiu 0,3% em março, marcando a quinta queda em sete meses;

• Recuo acumulado de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025;

• Massa salarial caiu 2,4% em março;

• Rendimento médio real recuou 1,8% em março;

• Massa salarial acumula alta de 0,8% no trimestre;

• Rendimento médio real sobe 1,5% ante o primeiro trimestre de 2025.

Os dados mostram uma melhora pontual no faturamento e na produção em março, mas também mantêm sinais de fragilidade no emprego e na utilização da capacidade diante de juros elevados e demanda enfraquecida.

Com informações de Agência Brasil