Oftalmologista Ricardo Coelho abordou, no Programa Diário Saúde da TV Diário do Sertão, transmitido às quintas-feiras e apresentado por Caliel Conrado, o fenômeno conhecido popularmente como “moscas volantes”: pontinhos, fios ou pequenas teias que aparecem no campo visual.
Segundo Coelho, essas manchas costumam surgir por alterações no vítreo, a substância gelatinosa que ocupa o interior do globo ocular. Com o envelhecimento ou por outras alterações, o vítreo pode formar estruturas que projetam sombras sobre a retina, ficando mais evidentes quando a pessoa olha para superfícies claras, como paredes brancas ou o céu.
Sinais de alerta
O especialista ressaltou que, apesar de frequentes, as moscas volantes não devem ser avaliadas apenas pela aparência. O aparecimento súbito de muitas manchas, especialmente se acompanhado de flashes de luz, visão embaçada ou perda parcial do campo visual, exige atendimento oftalmológico urgente. Esses sintomas podem indicar ruptura da retina ou início de descolamento, situações que comprometem a capacidade de formar imagens e podem levar à perda permanente da visão se não tratadas a tempo.
Coelho enfatizou que lesões retinianas podem ocorrer sem dor, portanto a ausência de desconforto não garante que não haja problema ocular.
Fatores de risco
Algumas condições aumentam a probabilidade de alterações que geram moscas volantes: miopia elevada, diabetes e histórico de cirurgias ou traumas oculares. Pessoas com miopia alta têm maior predisposição a alterações retinianas. Já o diabetes pode provocar lesões nos vasos sanguíneos do fundo do olho e, em determinados casos, hemorragias que produzem manchas na visão.
Opções de conduta e tratamento
Na maioria dos casos em que as moscas volantes decorrem de mudanças naturais do vítreo e não há lesões associadas, o acompanhamento oftalmológico é suficiente. Muitas pessoas relatam perceber menos as manchas com o tempo, embora elas não desapareçam completamente em todos os casos.
Quando o incômodo é intenso e compromete atividades diárias, procedimentos como vitrectomia — cirurgia para remoção do vítreo — ou tratamentos a laser podem ser avaliados em casos selecionados. Coelho advertiu que essas intervenções não são indicadas rotineiramente e apresentam riscos, exigindo avaliação criteriosa.
Ele também alertou contra o uso sem orientação de colírios, vitaminas ou outros medicamentos com a expectativa de eliminar as moscas volantes, já que não existe tratamento medicamentoso de amplo uso comprovado para esse fim e a automedicação pode atrasar a identificação de problemas graves.
Prevenção e acompanhamento
Nem sempre é possível prevenir o surgimento das moscas volantes, sobretudo quando estão relacionadas ao envelhecimento do vítreo. O cuidado recomendado é reconhecer alterações na visão e procurar atendimento oportuno. Consultas oftalmológicas periódicas ajudam a detectar condições que podem evoluir sem sintomas claros, como alterações retinianas associadas ao diabetes; a periodicidade dos exames deve ser definida conforme idade, histórico familiar e fatores de risco individuais.
Oftalmologista Ricardo Coelho atende no Centro Médico Sabino Rolim. Informações sobre consultas e agendamentos podem ser obtidas pelo telefone (83) 99127-9459 ou pelo perfil da clínica no Instagram: @centromedicosabinorolim.
Com informações de Diariodosertao



