O pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) cancelou a agenda prevista para a Paraíba nesta sexta-feira (3), alegando necessidade de concentrar esforços na reação ao “tarifaço” atribuído ao governo Trump. A justificativa foi informada a aliados locais, entre eles o senador Efraim Filho (União Brasil) e o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL).
A explicação oficial sobre a desistência ocorreu após repercussão da carta enviada por Flávio Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos, na qual sugeriu que a decisão sobre as tarifas fosse adiada até depois das eleições brasileiras. A iniciativa alimentou a pré-campanha do ex-presidente Lula, que passou a rotular o grupo Bolsonaro como “entreguista”.
Além do episódio envolvendo a correspondência ao governo americano, a presença do senador no estado tornaria a visita sensível por causa de uma crise com o eleitorado feminino. O conflito teve início com o rompimento público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e foi agravado por declarações do influenciador Paulo Figueiredo — aliado do senador — ao afirmar que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras.
A reação negativa às falas levou o próprio Flávio a repudiar as declarações publicamente e a declarar que precisa aperfeiçoar sua comunicação com esse segmento do eleitorado.
Maioria do eleitorado da Paraíba é feminino
Na Paraíba, a questão é relevante do ponto de vista eleitoral. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as mulheres correspondem a 52,61% dos eleitores aptos a votar no estado, e mais de 30% desse segmento são solteiras. Esses números indicam que a visita do pré-candidato coincidiria com um momento em que a campanha precisa reduzir o desgaste junto à maioria do eleitorado paraibano.
A pressão não viria apenas de eleitoras independentes: conservadoras que reconhecem Michelle Bolsonaro como liderança à direita também podem ter acompanhado com desconforto o embate público dentro do campo bolsonarista e transformar a insatisfação em cobrança política.
Por ora, a expectativa é de que Flávio participe da convenção do PL na Paraíba no próximo mês. Até lá, aliados locais, como Efraim Filho, podem optar por estratégias mais autônomas, privilegiando pautas regionais e diminuindo a associação direta com a disputa presidencial.
No contexto político, a ausência nem sempre é explicada apenas por questões de agenda; em alguns casos, ela também evita perguntas difíceis.
Com informações de Jornaldaparaiba




