O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (18), que a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, conhecida como Margem Equatorial, deve ser realizada com responsabilidade ambiental. A declaração foi feita durante visita à Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo.

Segundo o presidente, a atuação do governo tem como prioridade evitar danos ao meio ambiente ao mesmo tempo em que garante a soberania sobre a região. “Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós [do governo]”, disse Lula ao público presente na refinaria.

O presidente também vinculou a exploração à proteção do território nacional, argumentando que a extração evita que outros países reclamem a área. Em referência ao ex-presidente dos Estados Unidos, Lula afirmou: “Daqui a pouco o Trump [presidente dos Estados Unidos] acha que é dele e vai lá. Ele [Trump] achou que o Canadá era dele, ele achou que a Groenlândia era dele. Ele achou que o Golfo do México era dele. Quem garante que ele não vá dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então nós vamos ocupar e explorar petróleo com a maior responsabilidade para fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país”.

A Petrobras recebeu, no ano passado, licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar pesquisa exploratória na Margem Equatorial, área no norte do país apontada como potencial novo pré-sal.

Críticas à privatização

No mesmo discurso em Paulínia, Lula criticou a venda da BR Distribuidora, em 2019, e da Liquigás, em 2020, classificando as privatizações como parte de uma tentativa de enfraquecer a Petrobras. O presidente afirmou que a estratégia foi fragmentar a estatal, comparando o processo a vender fatias de um “rolo de mortadela”. Para Lula, a Petrobras deve permanecer como patrimônio do país e não ser privatizada.

O presidente também relacionou o desempenho da estatal ao cenário internacional e às medidas internas: segundo ele, a Petrobras tem obtido ganhos com exportações, e a receita adicional tem sido usada para subsidiar combustíveis. “Estamos tirando dinheiro do Orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo brasileiro porque ele não tem culpa da guerra do Irã. A guerra do Irã é culpa do Trump”, declarou.

Investimentos da Petrobras

Na visita à Replan, Lula acompanhou o anúncio de investimentos de R$ 37 bilhões da Petrobras no estado de São Paulo até 2030. A companhia informou que os recursos serão aplicados em refino e biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável, com expectativa de gerar 38 mil empregos diretos e indiretos.

Cerca de R$ 6 bilhões serão destinados à Replan, responsável pelo abastecimento de mais de 30% do país. A refinaria opera atualmente com capacidade de 434 mil barris por dia, e o projeto de ampliação prevê aumento para 459 mil barris por dia. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou: “E nessa Replan estamos andando, a passos largos, para até o final do ano, fazer combustível de aviação com até 5% de renováveis”.

Chambriard também informou que a empresa investe na produção do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, e que deve anunciar em breve a viabilidade comercial de uma nova descoberta no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos. “Já é uma reserva e já já vamos declarar a sua comercialidade, interligando o primeiro poço de Aram a produzir deste pré-sal e de mais um pré-sal aqui do estado de São Paulo. Vamos ter dois poços a produzir em mais um pré-sal aqui no estado de São Paulo”, afirmou.

A presidente da Petrobras ressaltou o papel da companhia na segurança energética, citando que a empresa é responsável pelo abastecimento de 75% do diesel no país, com projetos para elevar esse percentual a 85% e o compromisso, junto ao presidente Lula, de alcançar autossuficiência em diesel até 2030.

Com informações de Agência Brasil