Mãe de Esperança (PB) conta trajetória desde gestação solidária até transplante de medula
Aparecida Xavier, cabeleireira residente em Esperança, no Agreste paraibano, relembra a trajetória que a levou a ser mãe de Saulo por meio de uma barriga solidária e a enfrentar, ao lado do filho, o tratamento contra a leucemia. O menino, nascido em 2016, tem nove anos e passa o Dia das Mães de 2026 em casa, sem sessões de quimioterapia.
Aparecida diz que a presença do filho é o que a mantém firme durante os tratamentos e as incertezas. Para a família, este ano tem um significado especial por ser o primeiro após o transplante de medula óssea a que Saulo foi submetido.
A cabeleireira conta que, aos 16 anos, precisou fazer uma histerectomia e acreditou que não teria filhos. Dez anos depois, a amiga Amanda Silva ofereceu-se para gestar o bebê. A gravidez transcorreu sem intercorrências e Saulo nasceu em 2016; a formalização da guarda foi concluída somente mais de um ano após o parto. Como as duas moravam próximas, Aparecida afirma que a convivência facilitou a resolução de questões burocráticas e o dia a dia com a criança.
A relação entre Aparecida e Amanda se manteve próxima: Amanda tornou-se madrinha de Saulo, e a família seguiu unida até que, em 2024, quando o menino tinha sete anos, começaram a surgir sinais de cansaço incomum. Após investigar os sintomas, foi confirmado diagnóstico de leucemia, e o tratamento inicial ocorreu no Hospital Universitário de Campina Grande.
Houve uma reincidência da doença, e a equipe médica indicou transplante de medula. A cirurgia ocorreu no Hospital do Amor, em Barretos (SP), em 12 de novembro de 2025. A doadora foi Anne Dávila dos Santos, de 14 anos, filha de Amanda e meia‑irmã de Saulo, que mora em São Paulo. Segundo a família, não havia doador 100% compatível no registro público, por isso a busca por um parente próximo foi determinante.
Após o transplante, a família permaneceu em São Paulo por mais de cinco meses para o acompanhamento médico dos primeiros 100 dias, período considerado de maior vigilância. Nesse intervalo, Aparecida e o companheiro precisaram interromper o trabalho e contaram com doações de vizinhos, parentes e amigos para se manterem na cidade durante o pós‑operatório.
O retorno a casa aconteceu em 1º de abril de 2026, quando Saulo foi homenageado no voo de chegada a Campina Grande: durante os comunicados finais, o piloto mencionou a vitória do menino contra a doença, e os passageiros aplaudiram. A família registrou o momento, que viralizou nas redes sociais.
Para Aparecida, a sequência de cuidados e a recuperação refletem o encerramento de uma etapa difícil e o início de um novo período em que o filho volta a brincar e praticar as atividades de que gosta, como jogar bola.
Com informações de G1




