Oito em cada dez brasileiros afirmam notar diferença na maneira como pessoas brancas e negras são tratadas no país. O dado faz parte de uma pesquisa conduzida pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, tornada pública nesta quinta-feira, 20 de novembro, data em que se celebra o Dia da Consciência Negra.
O estudo foi realizado por meio de um painel virtual que reuniu 3.500 entrevistados residentes em dez capitais brasileiras. Todas as respostas foram coletadas em ambiente on-line, método escolhido pelos organizadores para viabilizar a participação simultânea de moradores de diferentes regiões metropolitanas. O questionário buscou medir a percepção individual sobre desigualdades raciais em situações cotidianas, sem entrar em detalhes sobre episódios específicos.
De acordo com o Instituto Cidades Sustentáveis, responsável pela iniciativa, o objetivo foi avaliar como a população enxerga o tratamento destinado a pessoas de origens raciais distintas em espaços públicos, serviços privados e no convívio diário. A Ipsos-Ipec, parceira técnica do levantamento, ficou encarregada da coleta dos dados brutos, da checagem das informações e da consolidação dos resultados.
Além do índice de 80% que reconhece diferenciação entre brancos e negros, o levantamento também revela que uma parcela menor dos entrevistados, que corresponde a cerca de 20%, declarou não perceber disparidades. O relatório final não traz margem de erro nem detalha a distribuição exata dos participantes por capital, mas destaca que a amostra foi balanceada segundo critérios de gênero e faixa etária.
A divulgação em 20 de novembro foi deliberada. Segundo os responsáveis, a escolha da data visa chamar atenção para a relevância do debate sobre desigualdade racial no mesmo dia em que o país reflete sobre a história de resistência negra. O Instituto Cidades Sustentáveis acrescenta que o estudo deverá subsidiar novas ações de monitoramento de políticas públicas voltadas à promoção da equidade.
Os resultados completos, que incluem recortes por região, escolaridade e renda, serão disponibilizados em formato digital no site das entidades nas próximas semanas. Até lá, o resumo estatístico permanece como principal referência para órgãos governamentais e organizações da sociedade civil interessadas em acompanhar o tema.
Com informações de Paraibaonline



