Em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, uma força-tarefa da prefeitura já recolheu mais de cinco toneladas de peixes mortos do Açude Velho. A ação, mobilizada desde a manhã de domingo (11), envolve cerca de 60 trabalhadores da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) e da Secretaria de Obras (Secob).

O incidente, recorrente nessa época do ano, está ligado a um processo de acúmulo de fósforo e nitrogênio na água, o que provoca a redução do oxigênio disponível e causa a mortandade dos peixes. Nas últimas semanas, a intensidade do fenômeno elevou o volume de animais mortos, gerando mau cheiro e transtornos aos moradores das imediações.

Durante reunião realizada na manhã desta segunda-feira (12), representantes da Sesuma, da Secob e de outras secretarias municipais definiram medidas emergenciais para conter o problema. Além da remoção dos peixes, cuja retirada contínua acontece diariamente, a prefeitura planeja intensificar o uso de aeradores para melhorar a oxigenação do reservatório.

Segundo o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Dorgival Vilar, “retiramos algo em torno de cinco toneladas até ontem e seguimos com a operação, buscando uma solução definitiva. Essa é uma problemática que já se arrasta há décadas e realmente preocupa”. Os peixes recolhidos estão sendo levados a um aterro sanitário, conforme procedimento previsto para resíduos de origem animal.

O Açude Velho, construído em um período de seca severa, tem grande valor histórico para Campina Grande, mas não é mais usado para abastecimento. Atualmente, a cidade depende do Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. No entanto, o Velho recebe águas contaminadas pelos canais próximos, agravando o risco de poluição e a recorrência de mortandade de peixes.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) investiga denúncias de lançamento irregular de esgoto no açude por comerciantes da região. Enquanto isso, a prefeitura amplia estudos sobre práticas de recuperação ambiental e reforça a fiscalização dos pontos de drenagem que desembocam no reservatório.

O combate ao problema envolve limpeza contínua, monitoramento da qualidade da água e ações de curto e longo prazos, numa tentativa de preservar o principal cartão postal da cidade e evitar novos episódios de contaminação.

Com informações de G1