Moradores da Zona Sul de João Pessoa relatam preocupação crescente com o estado do Rio do Cabelo. Nas últimas semanas, o curso d’água passou a exibir espuma esbranquiçada, odor forte e aparecimento de peixes mortos, quadro que reforça indícios de contaminação e afeta a rotina de famílias que vivem próximas às margens do rio.

Sinais de degradação

Segundo relatos de moradores, o mau cheiro tornou-se mais intenso nos últimos dias, coincidindo com a presença de espuma que cobre parte da superfície do rio. O excesso de material orgânico, somado à cor escura da água, levanta suspeita de lançamento irregular de esgoto doméstico e industrial.

Possíveis fontes de esgoto

A ecóloga Cristina Crispim avalia que a poluição pode ter mais de um ponto de origem. Na região das nascentes, há um complexo prisional que, de acordo com a especialista, despeja seus efluentes diretamente no leito. “Posteriormente, já em um trecho onde existe outra nascente, há lançamento de esgoto industrial. No distrito industrial funcionam diversas empresas, e não sabemos como é feito o tratamento desses resíduos”, afirmou.

Vistoria da prefeitura

A Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa (Seman-JP) informou à TV Cabo Branco que equipes técnicas inspecionaram o local e constataram o rompimento de um emissário ligado a uma estação elevatória no bairro de Mangabeira. O dano estrutural teria permitido que efluentes não tratados chegassem ao Rio do Cabelo, contribuindo para a degradação ambiental observada.

Ação da Cagepa

A Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa) também enviou profissionais à área e classificou a situação como “complexa”. Conforme a companhia, será necessário desviar a tubulação comprometida para conter o vazamento. Os serviços de engenharia já foram iniciados, mas ainda não há prazo definido para a conclusão da obra nem para a normalização da qualidade da água.

Expectativa da comunidade

Enquanto as intervenções são executadas, moradores aguardam que a interrupção do despejo irregular permita a recuperação gradativa do rio. Algumas famílias relatam receio de que a contaminação avance para áreas utilizadas em atividades de lazer e abastecimento não potável, ampliando os impactos sobre a saúde pública e o meio ambiente.

Representantes da comunidade planejam acompanhar de perto o andamento das obras e cobrar prazos mais claros dos órgãos responsáveis. A Seman-JP informou que novas coletas de água serão realizadas após o reparo da tubulação para medir a evolução da qualidade do rio.

Com informações de Jornaldaparaiba