O motorista de ônibus Carlos Eliezer Pereira de Carvalho, suspeito de atropelar e causar a morte de um motociclista em João Pessoa, já respondia na Justiça por um episódio anterior em que teria usado o coletivo para atacar o carro de uma mulher. A juíza responsável pelo caso citou esse histórico ao converter a prisão em flagrante do condutor em prisão preventiva.
Segundo documento citado pela juíza Conceição de Lourdes Marsicano, da 2ª Vara Regional de Garantias de João Pessoa, o incidente anterior ocorreu em 28 de fevereiro de 2025. Naquele episódio, conforme os autos, Carlos Eliezer teria subtraído o celular da condutora envolvida, desferido um chute no peito da vítima e, de forma reiterada, lançado o ônibus contra o veículo dela.
O registro do processo indica que, diante da conduta do motorista, a mulher foi obrigada a manobrar o carro sobre a calçada para evitar um desfecho mais grave. A magistrada considerou esse comportamento um padrão de agressividade que pesa contra a manutenção da liberdade do suspeito no novo inquérito.
Na ocasião de 28 de fevereiro de 2025, Carlos Eliezer foi preso em flagrante e, no dia 1º de março do mesmo ano, participou de audiência de custódia em que teve a prisão relaxada mediante medidas cautelares. O juiz da época, Isaac Torres, estabeleceu entre as condições o comparecimento a todos os atos processuais, presença periódica em juízo a cada 30 dias para justificar suas atividades e a proibição de portar arma. O processo referente a esse episódio segue em andamento.
Investigação atual e prisão
Carlos Eliezer está detido pela morte do motociclista desde a quinta-feira (23), segundo informações do processo. Ele é investigado por homicídio doloso após imagens de câmeras de segurança mostrarem o ônibus avançando em direção à vítima. A Justiça também determinou a coleta de material biológico do suspeito, que deve ser realizada pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) no prazo legal de dez dias.
O atropelamento ocorreu no bairro do Cuiá, na Zona Sul de João Pessoa. A vítima fatal foi identificada como Matheus de Souza Soares, de 26 anos. No episódio, outras duas pessoas foram atingidas: uma de 56 anos, que recebeu alta do Hospital de Emergência e Trauma da capital, e outra de 29 anos, que permanece internada em estado estável.
A defesa de Carlos Eliezer informou à Rede Paraíba que não iria se pronunciar. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP) divulgou nota afirmando que tomou conhecimento dos fatos, que confia na apuração das autoridades e que acompanha a investigação, além de manifestar solidariedade à família da vítima. Em comunicado anterior ao caso, o sindicato havia relatado, com base no relato do motorista, que não houve discussão e que o atropelamento teria ocorrido após o motociclista cair à frente do ônibus.
Os autos do processo e as decisões judiciais citadas sobre o episódio de 28 de fevereiro de 2025 constam nos documentos que integram a investigação em curso.
Com informações de Jornaldaparaiba


