Uma candidata à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) relatou nas redes sociais que teve parte do cabelo raspada em duas ocasiões durante a coleta de material para exame toxicológico em um laboratório de Sapé, na Zona da Mata da Paraíba. O episódio ocorreu no sábado (11) e foi registrado em vídeo pela própria mulher, identificada como Ana Karolina.
No relato, Ana Karolina afirmou que a primeira retirada de mecha ocorreu na região central da cabeça e a segunda na lateral, procedimento que, segundo ela, deveria ter sido feito apenas uma vez e em quantidade menor. A paciente disse ter sentido dor e ter tido a autoestima afetada pelo tamanho da área raspada.
A situação teria se repetido depois que a profissional responsável informou que um dos envelopes usados para acondicionar a amostra apresentava um rasgo. A candidata questionou a necessidade de nova coleta e sugeriu apenas substituir o invólucro danificado; após insistência, a profissional teria admitido que a amostra poderia ser encaminhada mesmo com o pequeno rasgo. Ainda assim, a coleta foi refeita uma segunda vez. No vídeo, Ana Karolina relata que a funcionária chegou a sugerir que ela prendesse o cabelo para esconder a área afetada.
Laboratório reconhece falha e acordo
Após repercussão nas redes, o laboratório publicou nota informando que apurou internamente o caso e constatou uma falha no procedimento, pedindo desculpas e afirmando que o episódio não representa os valores da instituição. A empresa declarou ter procurado a paciente para oferecer assistência.
Em publicações posteriores, na segunda-feira (13), Ana Karolina informou ter fechado um acordo com a clínica: a instituição se comprometeu a oferecer acolhimento, custear tratamento capilar e fornecer acompanhamento psicológico referente aos danos causados. O g1 procurou o laboratório para um posicionamento atualizado, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
Exame toxicológico para CNH: regras e funcionamento
Desde maio, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) passou a exigir exame toxicológico também para candidatos às categorias A, B e AB, além das categorias C, D e E, como condição para a emissão da primeira CNH. O teste deve ser realizado em laboratórios credenciados pela Senatran ou em postos de coleta vinculados a esses estabelecimentos; não é permitido coletar amostras em residências, empresas ou unidades móveis.
Normalmente, a coleta é feita com uma pequena mecha de cabelo retirada próxima à raiz; na falta de cabelo suficiente, podem ser usados pelos do corpo ou unhas. O procedimento prevê duas amostras — uma para análise e outra guardada para contraprova — e o laudo deve ser registrado no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach) em até 15 dias. O exame tem validade de 90 dias e identifica o consumo de substâncias psicoativas em um período aproximado de três meses, incluindo drogas como maconha, cocaína, anfetaminas, ecstasy, LSD, heroína e morfina.
O caso segue registrado nas redes com imagens feitas no dia da coleta e com o acordo entre a paciente e o laboratório anunciado publicamente pela mulher.
Com informações de G1



