A editora Nova Fronteira lançou um box reunindo três livros com crônicas de Nelson Rodrigues sobre Copas do Mundo. O conjunto, intitulado As Copas de Nelson Rodrigues, foi organizado por Caco Coelho e idealizado por Crica Rodrigues, filha de Nelson Rodrigues Filho e neta do cronista.

Os volumes compilam 150 crônicas que acompanham a trajetória da Seleção Brasileira entre a primeira conquista mundial, em 1958, e o tricampeonato, em 1970. As peças tratam tanto do desempenho da equipe quanto do período de ouro do futebol brasileiro, marcado pela presença de Pelé.

O lançamento serviu de mote para recordar a atuação de Nelson Rodrigues como cronista e comentarista do país. O texto original destaca que Rodrigues abordava não só o futebol, mas também o Brasil e a dimensão humana presente em jogadores e torcedores, e evidencia sua influência na crônica, no folhetim de jornal, no romance e, especialmente, no teatro.

Na avaliação registrada no texto, o país e o futebol continuam remetendo às reflexões de Nelson Rodrigues diante dos impasses nacionais. O autor do texto também relaciona essa memória literária ao desempenho recente da Seleção na Copa de 2026, afirmando que a eliminação brasileira pela Noruega, no dia 5 de julho de 2026, marcou o fim do sonho do hexa.

O colunista critica a cerimônia organizada pela CBF para a convocação da chamada “Seleção de Ancelotti”, descrevendo-a como um “show bizarro”, e classifica como ridícula a convocação de Neymar, além de considerar patético o gol e o choro do jogador após a derrota. Segundo o texto, a seleção de 1970 e a de 1982 representavam o país, enquanto a equipe de 2026 não teria esse caráter representativo.

O episódio em campo destacou o atacante norueguês Erling Haaland, apontado como o craque que fez os dois gols que eliminaram o Brasil. O cronista cita uma frase de Nelson Rodrigues — “o que importa mesmo é o craque; o resto é paisagem” — para sublinhar o papel decisivo do adversário na partida.

Após a eliminação, o texto observa que, em 6 de julho de 2026, o Brasil retornou à sua “vida real”, citando problemas estruturais como desigualdades, narcotráfico, milicianos, atividades de apostas e um parlamento que envergonha. O colunista lembra ainda que, daqui a três meses, haverá eleição presidencial, e que o país permanece dividido entre quem luta pela manutenção de uma democracia mínima e quem deseja seu fim.

A obra da Nova Fronteira resgata, portanto, crônicas que ligam futebol e sociedade, enquanto o debate sobre a seleção e o país segue marcado pela eliminação na Copa de 2026.

Com informações de Jornaldaparaiba