O número de motociclistas sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas rodovias federais da Região Metropolitana de João Pessoa aumentou 55% na última Operação Verão, realizada entre o fim de 2025 e o começo de 2026, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) compilados pelo Núcleo de Dados da Rede Paraíba.

Na ação entre 2024 e 2025, 23% dos motociclistas abordados não possuíam CNH, totalizando 285 condutores. No período de 2025 a 2026, esse percentual subiu para 35,76%, com 436 motociclistas flagrados sem habilitação.

O levantamento também aponta crescimento nos acidentes envolvendo motocicletas nas rodovias paraibanas. Em 2025 foram registrados 1.211 acidentes nas BRs do estado, com 1.471 pessoas feridas e 77 mortes — altas de 7,5% no número de feridos e 6,9% nas mortes em relação a 2024. A apuração indica um aumento de 8,6% no total de acidentes de moto no ano.

Em 2026, até março, a PRF contabilizou mais de 300 acidentes nas rodovias estaduais, uma média de três acidentes por dia, que resultaram em cerca de 400 feridos e 16 mortes.

Fábio Ramalho, chefe da 1ª Delegacia da PRF na Paraíba, ressaltou a importância do estudo da legislação para uma condução mais responsável. Segundo ele, a formação do condutor, com os testes e o aprendizado das normas de circulação e conduta, tende a promover atitudes mais defensivas no trânsito. Ramalho apontou como principais causas dos acidentes envolvendo motocicletas a desobediência às normas de tráfego, velocidade incompatível — especialmente em manobras de corredor entre veículos — e a embriaguez ao volante.

Os hospitais também registram impacto significativo. No Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa foram registrados 9.786 atendimentos por acidentes de moto em 2024; em 2025 o número se manteve praticamente estável e, até março de 2026, já eram mais de 2,3 mil atendimentos, com média de 27 pacientes por dia.

Em Campina Grande, os atendimentos por acidentes de moto cresceram, segundo a matéria, 21% em 2015. Foram mais de 8,8 mil em 2024, subindo para 10,6 mil em 2025. De janeiro a março de 2026 houve mais de 2,6 mil atendimentos, aumento de 8,2% ante o mesmo período de 2025.

Relatos de vítimas ilustram as consequências. Francisco José disse ter ficado mais de três meses internado e passado por cinco cirurgias após um acidente; admitiu ter dirigido de forma imprudente ao trafegar a 120 km/h. Mateus Xavier relatou perder o controle da moto ao tentar evitar um pedestre aparentemente embriagado em uma rodovia. Severino Venâncio, diretor escolar em Conde, permanece com sequelas no joelho e usa muletas desde um acidente em 2019, mas retomou a atividade profissional após recuperação e benefício do INSS.

Matheus Matos, coordenador da área vermelha do Hospital de Trauma de Campina Grande, explicou os tipos de lesões atendidas: traumas crânio-encefálico graves, fraturas de membros, traumas torácicos e abdominais fechados. Ele também detalhou custos hospitalares: internações simples com cerca de quatro dias custam aproximadamente R$ 6 mil, enquanto casos graves que exigem cirurgias e UTI podem chegar a R$ 400 mil por paciente, dependendo da gravidade.

Auxílios e orientações previdenciárias

Os pedidos de auxílios-acidente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também cresceram. Em 2024 foram concedidos 34,7 mil auxílios-acidente e 41,2 mil auxílios-acidente acidentários, somando mais de 76 mil benefícios e cerca de R$ 92 milhões pagos. Em 2025, foram mais de 52,4 mil auxílios-acidente e mais de 46,7 mil auxílios-acidente acidentários — quase 100 mil benefícios no total —, representando mais de R$ 125 milhões pagos pelo INSS, alta de 30% em relação a 2024.

O advogado previdenciário Edivanildo Nunes orientou sobre os procedimentos para requerer benefícios: reunir documentação básica (identidade, CPF, comprovante de residência, carteira de trabalho e documentos médicos que comprovem incapacidade ou redução da capacidade), e solicitar o benefício pelo site ou aplicativo meu INSS ou pelo telefone 135. Em caso de indeferimento, ele recomenda procurar um advogado para ação judicial ou iniciar processo administrativo com assistência jurídica.

Edivanildo explicou que processos relacionados a benefícios previdenciários, em regra, tramitam na Justiça Federal, onde, segundo ele, o procedimento tende a ser mais célere — com prazo médio de cerca de seis meses. Já ações acidentárias que correm na Justiça Estadual, na média apontada pelo advogado, podem levar aproximadamente dois anos para reconhecimento do direito.

Os números e relatos apresentados refletem o aumento de infrações, acidentes e impactos sociais e econômicos associados ao uso de motocicletas nas rodovias e nas cidades da Paraíba.

Com informações de Jornaldaparaiba