Transmissão: Band | YouTube
Padre de Areial firma acordo e terá de pedir desculpas à família de Preta Gil
O padre Danilo César, da paróquia de São José em Areial (PB), assinou um acordo na esfera cível com a família da cantora Preta Gil em ação por danos morais ajuizada na 41ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro. O documento, fechado em 11 de abril, ainda depende de homologação judicial.
No termo, o clérigo reconhece o teor ofensivo das declarações proferidas durante uma missa em 27 de julho do ano passado e admite que as falas “causaram dor aos familiares de Preta Gil”. Como parte do acordo, ficou estabelecido que o padre pedirá desculpas publicamente à família, citando nominalmente o pai da cantora, Gilberto Gil, além de outros integrantes do grupo familiar.
A retratação deverá ocorrer durante a celebração de uma missa e ser transmitida pelo canal da Paróquia de Areial no YouTube, para garantir que o ato de desculpas tenha alcance equivalente ao da transmissão original que motivou o processo. Se a retratação não for feita no prazo de 30 dias úteis contados da homologação, o padre ficará obrigado a pagar multa de R$ 250 mil.
Com o acordo cível, o padre evita a obrigação de uma indenização no valor de R$ 370 mil. Também está prevista a doação de oito cestas básicas a uma instituição indicada pela família de Preta Gil, a ser feita em até dez dias após a homologação do acordo. A Diocese de Campina Grande figura como parte no termo.
Paralelamente, na esfera criminal, Danilo firmou em fevereiro um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB). Entre as medidas estabelecidas naquele acordo estava a participação em um ato inter-religioso, realizado em fevereiro, com a participação remota de Gilberto Gil, que se manifestou sobre o caso.
Também foram impostas obrigações educativas e reparatórias: leitura e produção de resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra (Lívia Santana) e Cultos Afro-Paraibanos (Valdir Lima), preferencialmente capítulo a capítulo; produção de resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação; cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa com certificação; entrega das três resenhas e, no mínimo, 20 horas certificadas até o fim de junho; e pagamento de R$ 4.863,00 via Pix, em até cinco dias, para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).
O episódio que originou as ações ocorreu em 27 de julho, quando, durante a homilia transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia, o padre relacionou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, a práticas de religiões de matriz afro-indígena. Após a repercussão nas redes sociais, o vídeo foi retirado do ar. A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial, considerou as falas preconceituosas, e o presidente da entidade, Rafael Generiano, registrou boletim de ocorrência por intolerância religiosa.
O acordo cível agora aguarda homologação judicial para que as medidas previstas, inclusive a retratação pública na missa transmitida, sejam formalmente cumpridas.
Com informações de G1



