O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quarta-feira (8) à presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em Washington, dedicada à discussão de tarifas comerciais aplicáveis ao Brasil. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a atuação do parlamentar como uma intervenção em um debate que trata dos interesses econômicos do país.
Governo condena participação do senador
Segundo o documento divulgado pelo Planalto, a participação de Flávio Bolsonaro no evento — aberto ao setor privado e à sociedade civil — foi rejeitada pelo governo brasileiro. A nota afirma que, entre os 34 brasileiros cadastrados para falar na audiência, o senador foi o único que não se manifestou contra a proposta de medidas tarifárias dos Estados Unidos.
O texto oficial também sustenta que o parlamentar optou por legitimar o resultado da investigação norte-americana em vez de rebater as alegações que motivaram a proposta de taxação. O governo acrescentou que a participação de Flávio teria finalidade eleitoral.
Caso Banco Master e menções omitidas
O Planalto menciona ainda que, durante sua intervenção, o senador citou o chamado caso Banco Master, mas teria omitido informações sobre a origem do esquema, que o governo associa ao período de gestão de Jair Bolsonaro. A nota afirma que Flávio não teria citado laços pessoais com Daniel Vorcaro e uma suposta solicitação de mais de R$ 130 milhões para a produção de um filme sobre seu pai.
Na audiência, o senador afirmou que a adoção imediata de novas tarifas poderia beneficiar politicamente o presidente Lula na campanha de 2026 e chegou a defender o adiamento de qualquer decisão sobre o tema para depois das eleições brasileiras. Flávio Bolsonaro justificou sua presença dizendo atuar como senador e representante da oposição, e criticou a ausência de representantes do governo federal no evento, afirmando que foi à sessão para defender interesses do país.
Investigação do USTR e posição do Planalto
O Palácio do Planalto informou que optou por não enviar representantes oficiais à audiência para não conferir legitimidade ao procedimento dos EUA, postura mantida desde o início do processo. A investigação do USTR foi aberta em julho do ano passado com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O relatório final do USTR levantou questionamentos sobre pontos como o sistema de pagamentos Pix, atuação de plataformas digitais, desmatamento ilegal, corrupção e outras políticas públicas brasileiras. A partir dessas conclusões, os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, medida que ainda passa por consultas públicas antes de eventual implementação.
O governo brasileiro mantém, desde a abertura do procedimento, a decisão de não reconhecer a legitimidade da investigação por meio do envio de delegados ao debate.
Com informações de Polemicaparaiba



