TRANSMISSÃO: do g1 PB no WhatsApp O primeiro dia fora dos corredores A emoção che
Alta hospitalar e retorno ao convívio familiar
A jovem paraibana Natanielly Ferreira, de 21 anos, recebeu alta do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa, no dia 5 de fevereiro de 2026, e passou a morar com familiares em Pilõezinhos, no interior da Paraíba. Natanielly havia sido internada aos 10 anos, após um quadro grave de pneumonia, e permaneceu no hospital por 11 anos.
Durante a internação, ela precisou de atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi submetida à traqueostomia e manteve dependência de suporte respiratório. Exames genéticos identificaram, posteriormente, uma distrofia neuromuscular rara por deficiência de Lama 2, condição que motivou a continuidade do cuidado hospitalar enquanto não existia estrutura pública de assistência domiciliar adequada.
Adaptação e rotina fora do hospital
Ao deixar o HULW, Natanielly passou a dividir a casa com o tio, a madrinha e primos que a acompanham há oito anos. A família assumiu os cuidados diários desde que o pai sofreu um acidente de moto em Guarabira e precisou de auxílio para caminhar. A jovem descreveu surpresa e emoção ao reencontrar parentes, em especial a prima, e citou pequenos atos do cotidiano — como tomar banho em casa — como momentos de grande significado após o longo período de internação.
Natanielly relatou incertezas sobre a adaptação, mas afirmou que a convivência familiar corresponde ao seu maior desejo. Mesmo com limitações físicas, ela mantém o interesse pelos estudos e sonha em cursar Direito. Durante a internação, concluiu o ensino fundamental e o ensino médio, e realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 2025.
Cuidado médico e vínculos formados no hospital
A médica Ana Flávia, que acompanhou a paciente por cinco anos, informou que, embora Natanielly apresente movimentos muito limitados — movimentando pouco as mãos —, o cognitivo está preservado. A equipe considerou o ambiente hospitalar inadequado a longo prazo para o caso crônico, e a alta só foi autorizada após o Estado passar a ofertar serviço de home care para casos específicos, critérios estes preenchidos por Natanielly. O pedido administrativo resultou na liberação no início de fevereiro.
Durante os anos internada, Natanielly participou de atividades religiosas e sociais no hospital, recebeu apoio de profissionais de saúde — entre eles o técnico de enfermagem Max Yuri, que a maquiou em um episódio lembrado por ela — e celebrou o 21º aniversário em 2025 em uma casa de shows em João Pessoa, evento organizado por residentes multiprofissionais com apoio da direção do local.
O retorno para casa marca o fim de um ciclo iniciado na infância e o começo de uma rotina em que o vínculo familiar passa a ocupar o espaço antes preenchido pelos corredores do hospital.
Com informações de G1




