Um guia ilustrado que auxilia na identificação de animais peçonhentos do bioma Caatinga foi disponibilizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). A obra, intitulada “Identificação, orientação e desmistificação: animais peçonhentos da Caatinga paraibana no contexto da vivência da Paraíba”, apresenta informações sobre quais espécies são venenosas, orienta sobre a melhor forma de agir em encontros com esses animais e detalha os cuidados de primeiros socorros em caso de acidentes.

O material é assinado pela professora Adriana Teixeira Barros, do Departamento de Biologia da UEPB, e pelo graduando em Ciências Biológicas Matheus Rodrigues Morais. Segundo os autores, o objetivo principal é fomentar atitudes responsáveis em relação à fauna local, ao mesmo tempo em que se amplia o conhecimento sobre a biodiversidade regional.

Ligação entre ciência e comunidade

De acordo com Adriana, a ideia surgiu para aproximar o conhecimento científico da realidade do bioma Caatinga, tomando como ponto de partida o município de Juazeirinho, na região imediata de Campina Grande. “A motivação central, além da conservação, é a saúde pública e o atendimento de emergência. Os acidentes com animais peçonhentos são frequentes, e muitas vezes os pacientes precisam ser transferidos para cidades com suporte especializado”, afirmou.

Matheus acrescenta que o processo de elaboração envolveu escuta ativa de moradores tanto da zona urbana quanto da zona rural de Juazeirinho. “Os contatos permitiram compreender a relação das pessoas com esses animais e coletar informações que questionários sozinhos não captariam”, relatou.

Primeiros socorros e mitos

O livro explica que práticas populares, como chupar o local da picada, não impedem a ação do veneno e podem aumentar o risco de infecção. Outra conduta desaconselhada é amarrar o membro ferido, pois a falta de circulação potencializa efeitos tóxicos, podendo levar à necrose e até à amputação. A recomendação é buscar atendimento médico imediato.

Ao identificar espécies de importância médica, como Jararaca e Cascavel, o guia reforça a necessidade de se reconhecer corretamente cada animal e de evitar ações que coloquem em risco pessoas e a própria fauna.

Números de acidentes na Paraíba

Dados da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba indicam que, entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 6.545 atendimentos relacionados a animais peçonhentos. O balanço aponta 5.052 ocorrências com escorpiões, 529 com serpentes, 214 com aranhas, 48 com lagartas, 313 com abelhas, 327 classificados como “outros” e 62 casos sem identificação do animal.

Para os autores, esses números reforçam a relevância do material como ferramenta de prevenção de acidentes e de conservação das espécies. “Queremos oferecer conhecimento científico que sensibilize os leitores e reduza o abate desnecessário desses animais, fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas”, afirmou Matheus.

O guia está disponível para download gratuito no site da Editora UEPB.

Com informações de Jornaldaparaiba