Três levantamentos recentes sobre a corrida ao governo da Paraíba apresentam resultados divergentes a respeito das posições dos candidatos, ainda que todos indiquem o mesmo líder. Dependendo do instituto consultado, o segundo colocado varia entre Efraim Filho (PL) e Cícero Lucena (MDB), transformando a leitura da eleição em narrativas diferentes.
Resultados principais
Nas três pesquisas, Lucas Ribeiro (PP) aparece na frente, mas com margens que variam. A AtlasIntel, divulgada nesta semana, aponta Lucas com 42,4% das intenções de voto; Efraim com 30,9% e Cícero com 19,8%.
No levantamento da Quaest, Lucas registra 38%, Cícero tem 19% e Efraim aparece com 18%. Já o Instituto Índice mostra um cenário mais equilibrado entre os dois primeiros: Lucas com 33,6%, Cícero com 32,2% e Efraim com 18,5%.
O que muda entre as pesquisas
As discrepâncias são relevantes. Na comparação Atlas x Índice, por exemplo, Cícero Lucena passa de 19,8% para 32,2% — uma diferença de 12,4 pontos percentuais — o que altera seu papel na disputa: em um levantamento figura distante do segundo lugar; em outro, disputa a liderança com Lucas.
Para Efraim Filho a movimentação é inversa: em Quaest e Índice ele aparece com cerca de 18% (18% e 18,5%, respectivamente), enquanto a Atlas o coloca em 30,9%, transformando-o, no recorte desse instituto, no principal adversário de Lucas.
Lucas Ribeiro é o único que mantém a primeira posição em todos os levantamentos, mas a força dessa liderança varia — de vantagem confortável na Atlas e na Quaest a um empate técnico, dentro da margem de erro, no Índice (diferença de 1,4 ponto sobre Cícero).
Metodologias e calendário
As três pesquisas utilizaram amostras e métodos distintos. A Atlas ouviu 1.207 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro por recrutamento digital aleatório. A Quaest entrevistou presencialmente 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto. O Índice realizou 2.000 entrevistas presenciais entre 20 e 22 de agosto.
Além das diferenças de campo e sistema de amostragem, há fator temporal: entre os levantamentos da Quaest/Índice e a realização da Atlas começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, o que pode ter impactado o comportamento do eleitorado.
Narrativas e tendências
Cada campanha tende a privilegiar o levantamento que melhor sustenta sua estratégia: Lucas pode enfatizar a liderança consolidada, Efraim apontar o crescimento detectado pela Atlas e Cícero destacar o empate apontado pelo Índice. Por isso, especialistas apontam a importância de acompanhar séries dentro de uma mesma metodologia para distinguir variação real de diferenças metodológicas.
A principal certeza que emerge neste momento é que Lucas Ribeiro lidera numericamente as três pesquisas. A dúvida central permanece: quem será o adversário real de Lucas no eventual segundo turno — Efraim, Cícero, ou uma disputa acirrada entre ambos depende do levantamento consultado.
Com informações de Polemicaparaiba




