Polícia relaciona sequência de cabeças humanas à disputa entre grupos criminosos

A Polícia Civil afirmou, em coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (17), que as três decapitações registradas na região metropolitana de João Pessoa são parte de um ciclo de retaliações entre facções rivais que buscam afirmação territorial. O delegado Cristiano Santana, superintendente da corporação, relacionou as ocorrências a um confronto entre dois grupos que têm sofrido baixas de ambos os lados.

Santana informou que duas prisões já foram efetuadas no curso das investigações e que os detidos pertencem à mesma facção. “Há uma disputa entre dois grupos. Temos vítimas de um grupo. Temos vítimas de outro grupo. O que se observa é um movimento de retaliação em evento. Que com essas prisões que ocorreram e que ocorrerão, vamos conseguir frear esse movimento”, afirmou o delegado durante a entrevista.

As apurações começaram em 17 de agosto, quando foi encontrada a cabeça de Anderson Diego. A Polícia Civil ainda não localizou o corpo do jovem e segue realizando diligências para encontrá-lo, com apoio do Corpo de Bombeiros, conforme explicou Santana.

Na sequência de setembro, a polícia registrou outros episódios relacionados: no domingo (13) foi achada uma cabeça humana em área de mata no bairro de Gramame, Zona Sul de João Pessoa, um dia depois de um túmulo no Cemitério São José, em Cruz das Armas, ter sido violado. A Polícia Civil investiga se a cabeça localizada em Gramame pertence a Jonailton José Venâncio; a mãe do homem informou às autoridades que o membro apresentava características semelhantes às do filho. Segundo a investigação, o corpo de Venâncio havia sido exumado, carbonizado e teve a cabeça arrancada.

Na noite de terça-feira (15), uma mochila com uma cabeça foi arremessada do alto de um barranco na Avenida Nina Lima, na comunidade Saturnino de Brito, no bairro do Varadouro; testemunhas relataram que suspeitos em uma motocicleta realizaram o ato. Já na tarde de quarta-feira (16), policiais encontraram, entre Bayeux e João Pessoa, próximo à Ponte do Baralho, um corpo decapitado que está sendo apurado quanto à possível relação com a cabeça deixada na mochila.

Outros casos anteriores incluem a descoberta, em 17 de agosto, de uma cabeça lançada em via pública no bairro Colinas do Sul, também na Zona Sul, perto de uma base policial; relatos de testemunhas apontaram que quatro homens em um carro teriam atirado a cabeça na rua depois de passarem efetuando disparos pela comunidade. O Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) conduz os exames para identificação das vítimas e para esclarecer ligações entre os episódios.

A Polícia Civil informou que as diligências prosseguem com o objetivo de identificar e prender outros envolvidos nas decapitações.

Com informações de G1