O prefeito afastado de Cabedelo (PB), Edvaldo Neto (Avante), afirmou nesta quinta-feira (16) que não cometeu “nenhum ato ilegal” enquanto esteve à frente da prefeitura ou durante seu mandato como presidente da Câmara Municipal. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, depois de ele ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de contratação de empresas terceirizadas para empregar pessoas ligadas a uma facção criminosa e desviar cerca de R$ 270 milhões.

No vídeo, Edvaldo disse estar com a “consciência tranquila” e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. “Continuarei aqui firme, de pé, sempre à disposição para responder a qualquer questionamento que me for feito”, afirmou.

O prefeito afastado ressaltou que, desde que assumiu como prefeito interino de Cabedelo, cooperou com órgãos de segurança para enfrentar a atuação de organizações criminosas no âmbito da administração pública. Citou reuniões com o Ministério Público, o Poder Judiciário, a Polícia Civil e a Polícia Militar, e mencionou ter encaminhado à Câmara Municipal, no dia seguinte à eleição — ocorrida no domingo (12) — um projeto de lei que classificou como “antifacção”.

Edvaldo também afirmou que os atos que estão sendo investigados pela chamada Operação Cítrico teriam ocorrido antes de sua posse como prefeito interino, e que ele não participou de qualquer ação vinculada ao esquema enquanto esteve na chefia do Executivo municipal.

A Justiça da Paraíba, porém, sustenta que o prefeito utilizou o cargo para manter um sistema de contratações de terceirizadas que beneficiaria pessoas indicadas pela facção Comando Vermelho, por meio do grupo identificado como “Tropa do Amigão”. Segundo a decisão judicial citada nas investigações, recursos públicos pagos às empresas terceirizadas retornavam aos líderes da organização e a agentes políticos na forma de propina, em um desvio estimado em cerca de R$ 270 milhões.

O procedimento investigativo descreve, entre outros pontos, supostas fraudes em licitações para favorecer empresas como a Lemon, desclassificação de concorrentes mesmo quando apresentavam propostas melhores, existência de uma “folha de pagamento paralela” e pagamentos em espécie ou por meio de contas de terceiros. Há, ainda, menção a indícios de lavagem de dinheiro e à utilização da estrutura municipal como instrumento logístico e financeiro do crime organizado.

Durante a operação foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, incluindo um apartamento de Edvaldo Neto em Intermares. A Polícia Federal não detalhou até o momento os materiais apreendidos. As diligências foram realizadas em força-tarefa que reúne Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba, por intermédio do Gaeco, e Controladoria-Geral da União.

A Justiça proibiu o acesso às dependências da prefeitura de Cabedelo de diversas pessoas citadas na investigação: Edvaldo Neto, Vitor Hugo Peixoto Castelliano, Rougger Xavier Guerra Junior, Diego Carvalho Martins, Cynthia Denize Silva Cordeiro, Tanison da Silva Santos e Cláudio Fernandes de Lima Monteiro.

Em notas divulgadas anteriormente, a defesa de Edvaldo afirmou que ele jamais manteve vínculo com facção criminosa e chamou as imputações de inverídicas, destacando que a medida é provisória. O ex-prefeito Vitor Hugo negou conhecer uma pessoa identificada como Ariadna e afirmou ser vítima de perseguição política. Rougger Guerra, então secretário da Prefeitura de João Pessoa, declarou não ter qualquer relacionamento com os fatos e disse ter entregue o cargo. A Lemon afirmou que atua com base em princípios éticos e se colocou à disposição para colaborar com as investigações. A mulher que se identificou como advogada da Lemon disse trabalhar com lisura e que confia na apuração judicial. A defesa dos demais alvos não foi localizada.

As apurações seguem em andamento, com a Polícia Federal e os órgãos parceiros investigando os indícios detalhados na decisão judicial.

Com informações de G1