Presidente da Câmara assume prefeitura interinamente após decisão judicial

O presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, José Pereira (Avante), passou a ocupar temporariamente a prefeitura nesta terça-feira (14) após a Justiça determinar o afastamento do prefeito Edvaldo Neto (Avante) em ação da Polícia Federal. Pereira afirmou que foi surpreendido pela operação, afirmou que a cidade também foi tomada de surpresa e ressaltou que o Legislativo municipal continuará atuando em benefício da população.

Segundo José Pereira, que assumiu o Executivo em caráter interino conforme prevê a legislação, espera que os procedimentos legais sejam cumpridos adequadamente e que Edvaldo Neto apresente sua defesa. O presidente da Câmara comentou ainda que na sessão do mesmo dia será discutido um projeto para endurecer os critérios nas contratações de servidores, com a intenção de exigir certidões e garantias de regularidade dos admitidos.

O afastamento do prefeito, que ocupava o cargo de forma interina desde 2025 e havia sido eleito nas eleições suplementares no domingo (12), foi determinado por decisão judicial. A defesa de Edvaldo Neto divulgou nota em que afirma que a medida tem caráter provisório e que não constitui juízo definitivo de culpa. A nota também nega qualquer vínculo do prefeito com organização criminosa, classificando a imputação como inverídica.

De acordo com a TV Cabo Branco, a operação da Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e teve como alvos, entre outros, o próprio Edvaldo Manoel de Lima Neto; Josenilda Batista dos Santos; Vitor Hugo Peixoto Castelliano; Luciano Junior da Silva; Aldecir Monteiro da Silva; Rougger Xavier Guerra Junior; Diego Carvalho Martins; Rita Bernadeth Moura Medeiros; Claudio Fernandes de Lima Monteiro; Cynthia Denize Silva Cordeiro; Tanison da Silva Santos; Genilton Martins de Brito; e Manuella Trevizan da Silva.

A investigação aponta para um suposto consórcio que envolveria políticos do alto escalão do município, empresários e integrantes da facção “Tropa do Amigão” — vinculada ao “Comando Vermelho” — e que teria movimentado até R$ 270 milhões por meio de contratos fraudulentos. Um dos locais alvo de mandado foi um apartamento do prefeito em Intermares; a Polícia Federal não detalhou, até o momento, os materiais apreendidos.

Além do afastamento do chefe do Executivo, houve determinação judicial para o afastamento de outros servidores públicos ligados à administração, a fim de preservar as apurações. Os nomes desses servidores não foram divulgados pela investigação.

As diligências são realizadas em regime de força-tarefa pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba — por meio do Gaeco — e pela Controladoria-Geral da União. Edvaldo Neto havia assumido interinamente a prefeitura em 2025 após a cassação do então prefeito André Coutinho (Avante) e da vice-prefeita Camila Holanda (PP); nas eleições suplementares de domingo (12), Edvaldo foi eleito para cumprir mandato até 2028, com Evilásio Cavalcante (Avante) como vice.

Com informações de G1