O Banco Central informou que os valores devolvidos a clientes do conglomerado Master foram, em grande parte, direcionados a bancos de maior porte após a liquidação extrajudicial das instituições do grupo. A avaliação consta do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2025, divulgado pela autoridade monetária.

Recursos migraram

Segundo o BC, os maiores bancos do sistema absorveram a maior parte desses recursos. Instituições classificadas como S1 — que reúnem bancos com ativos equivalentes a pelo menos 10% do PIB ou com forte presença internacional — receberam 40,9% dos valores. Bancos S2, considerados de grande porte e com relevância sistêmica, ficaram com 24,2%.

Risco sistêmico

O relatório conclui que a liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master não provocou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional. A autoridade monetária ressaltou que acompanhou de forma detalhada a migração dos recursos, monitorando as movimentações individualmente por CPF e por CNPJ.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que os recursos foram direcionados majoritariamente para instituições classificadas nas faixas S1 e S2 e que a liquidação não impactou o funcionamento do sistema. O BC também observou que o conglomerado Master representava cerca de 0,1% dos ativos totais do sistema bancário brasileiro.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou na semana passada que um banco classificado como S3, em menor escala no sistema financeiro, não oferece risco sistêmico.

Sistema sólido

No REF, o BC reafirma que o sistema financeiro brasileiro segue sólido mesmo diante de juros elevados e crescimento da inadimplência. Testes de estresse indicaram que os bancos mantêm capacidade de resistência em cenários adversos, e a capitalização e a liquidez do SFN continuam em níveis confortáveis.

A autoridade também registrou que a rentabilidade das instituições ficou praticamente estável no segundo semestre de 2025, com crescimento dos resultados operacionais compensando, ainda que em ritmo menor, o aumento do custo com provisões.

Crédito e pagamentos

O relatório aponta desaceleração do crédito em 2025, tanto para famílias quanto para empresas. Entre pessoas físicas, houve aumento do comprometimento da renda e avanço da inadimplência em todas as modalidades de crédito, e o BC espera que a trajetória de alta da probabilidade de inadimplência continue na maioria das modalidades. Ainda assim, a autoridade considera que os bancos mantêm provisões adequadas para perdas esperadas.

O documento também destacou o crescimento do Pix, que respondeu por 29% das transações no varejo no segundo semestre de 2025.

Com informações de Agência Brasil